Aurore Belot/AFP
Aurore Belot/AFP

Em cúpula em Bruxelas, líderes da UE mostram apoio a Rajoy na crise com a Catalunha

Governos de França, Alemanha e Bélgica se colocaram ao lado do chefe do Executivo espanhol para manter a unidade do país

O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2017 | 20h24

BRUXELAS - Líderes da União Europeia ofereceram seu apoio ao primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, na crise com a Catalunha, durante uma cúpula realizada nesta quinta-feira, 19, em Bruxelas. Rajoy convocou uma reunião com ministros para decidir se vai suspender a autonomia da província, como mais uma tentativa de evitar a declaração definitiva de independência da região.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse que espera uma saída com base na Constituição espanhola. "É claro que isso nos preocupa. Nós estamos observando isso muito de perto e apoiamos a posição do governo espanhol, que é também adotada por vários partidos." 

Na mesma linha, o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que "sempre apoiará o governo espanhol", acrescentando que "esta reunião enviaria por uma mensagem de unidade dos países da União Europeia em relação à Espanha".

Outros líderes do bloco também manifestaram apoio. O primeiro-ministro de Luxemburgo, Xavier Bettel, disse acreditar que o embate entre os governos central de Madri e regional de Barcelona precisa de uma uma solução diplomática e política. "Existe uma lei e a lei deve ser respeitada", afirmou.

Catalães protestam contra prisão de líderes independentistas

O premiê holandês, Mark Rutte, desconversou, dizendo que esse não é um problema para ser discutido pela União Europeia, pois se trata de uma "questão interna espanhola". 

Já o primeiro-ministro belga, Charles Michel, que tem movimentos separatistas em seu próprio país para enfrentar, foi o mais conciliador com os catalães. Ele condenou a violência e pediu diálogo entre os dois governos.

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A União Europeia já havia manifestado que não reconhecerá a independência da Catalunha. Caso a província consiga se separar da Espanha, automaticamente não estaria mais no bloco, segundo representantes.

A Espanha emitiu uma declaração na quinta-feira de manhã, invocando o artigo 155 da Constituição "para restaurar a legalidade" do governo autônomo, depois que o governador da Catalunha, Carles Puigdemont, escreveu uma carta ameaçando que confirmaria a secessão caso Madri não voltasse atrás na prisão de líderes do movimento independentista.

A Constituição espanhola e o Artigo 155

Puigdemont cita na carta o plebiscito do dia 1º como dando legitimidade à causa separatista, embora tenha sido conduzida em violação da Constituição espanhola, segundo Madri. Rajoy, que rejeitou os apelos de Puigdemont para o diálogo até que ele volte a atuar dentro da lei, não quis dar entrevistas ao chegar para o encontro em Bruxelas. / REUTERS

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