Em cúpula, Obama reforça pressão ao Irã

Reunião sobre segurança nuclear de amanhã, com a presença do Brasil, é a maior desde 1945

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2010 | 00h00

Com a cúpula de segurança nuclear que começa amanhã em Washington, o presidente dos EUA, Barack Obama, pretende mostrar que está fazendo sua lição de casa - e vai cobrar que potências emergentes como o Brasil façam a deles.

O encontro, cujo principal tema é o perigo do terrorismo nuclear - urânio enriquecido e plutônio caindo em mãos de terroristas -, é o mais recente capítulo da ofensiva da diplomacia de Obama na área nuclear. Na semana passada, ele anunciou a revisão da estratégia atômica do país, prometendo não atacar com armas nucleares países que respeitam o Tratado de Não-Proliferação. Na quinta, assinou uma nova versão do Start com a Rússia (leia mais nesta página). Agora, será o anfitrião da maior cúpula sobre segurança nuclear desde a reunião de São Francisco, em 1945. Obama quer usar essa ofensiva diplomática para estabelecer os EUA como líderes no campo de desarmamento e não-proliferação nuclear.

Ao mostrar que está fazendo sua parte, ele espera convencer Brasil e outros países a apoiar sanções contra o Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas e aderir ao protocolo adicional do Tratado de Não-Proliferação, que estabelece inspeções mais abrangentes em instalações nucleares.

Há um clima de desconfiança entre os países-membros do TNP. "Achamos que países nucleares armados não fazem sua parte nas negociações, então não se justifica países não armados assumirem mais compromissos", diz um diplomata. A cúpula terá representantes de 47 nações, sendo 40 chefes de Estado, e vai se concentrar em um tema pouco polêmico e bastante técnico: como manter urânio enriquecido e plutônio seguros. Em seu discurso em Praga, há um ano, Obama propôs que todos os materiais nucleares vulneráveis sejam postos em locais seguros em até 4 anos. "A conferência é mais relações-públicas, com o objetivo de dar ímpeto à questão", diz Matias Spektor, pesquisador do Council on Foreign Relations.

Segundo apurou o Estado, no comunicado final, os países devem pedir um reforço do papel da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na garantia da segurança nuclear. O comunicado também deve propor leis mais severas para traficantes de material nuclear e melhor monitoramento de material nuclear, além de programar uma nova conferência para 2012.

Obama pretende usar as reuniões bilaterais à margem da cúpula para ganhar adesão às sanções contra o Irã. A reunião bilateral mais importante será com Hu Jintao, líder chinês. Depois de a Rússia ter dado sinais de flexibilidade, a China ficou como o último membro permanente do Conselho de Segurança que não apoia sanções contra o Irã.

O Brasil, em contrapartida, não quer que sua participação seja vista como endosso das políticas dos EUA. Mas fatalmente será questionado sobre seu posicionamento em relação ao Irã.

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