Mandel Ngan/AFP
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Em Dallas, Obama pede união e lembra policiais e negros vítimas de violência

Durante cerimônia de homenagem aos policiais mortos no ataque de quinta-feira, primeiro negro a ocupar a Casa Branca afirma que relações raciais melhoraram nos Estados Unidos, mas preconceito ainda está muito longe de ser eliminado

Cláudia Trevisan CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

12 de julho de 2016 | 18h20

Depois de uma semana em que o fantasma do conflito racial voltou a assombrar os EUA, o presidente Barack Obama fez nesta terça-feira, 12, um apelo à união e homenageou tanto os cinco policiais mortos por um atirador negro na quinta-feira quanto os dois homens negros mortos por policiais brancos nos dias anteriores. 

Obama equilibrou a crítica dos abusos de agentes da lei contra homens afro-americanos com elogios à instituição policial e o reconhecimento dos riscos que seus integrantes enfrentam em seu cotidiano. Primeiro presidente negro da história dos EUA, ele disse que as relações raciais no país melhoraram de maneira dramática durante sua vida, mas que o preconceito está longe de ser eliminado.

“Diante dessa violência, nós nos perguntamos se as divisões raciais na América poderão um dia ser eliminadas”, disse Obama em discurso na cerimônia inter-religiosa em memória dos cinco policiais mortos em Dallas. Falando a um país traumatizado pelos três episódios, Obama disse entender os sentimentos dos americanos que se debatem para interpretar o que ocorreu e temem o aprofundamento da tensão racial. “Dallas, eu estou aqui para dizer que devemos rejeitar essa desesperança. Eu estou aqui para insistir que não somos tão divididos como parecemos.”

Segundo Obama, a reação da cidade texana ao que ele classificou como um crime de ódio racial é uma demonstração de que a conciliação é possível. “Eu vejo pessoas que estão de luto pelos cinco oficiais que nós perdemos, mas que também choram pelas famílias de Alton Sterling e Philando Castile”, afirmou o presidente, mencionando os nomes dos dois negros mortos a tiros por policiais na semana passada. “Eu vejo o que é possível quando nós reconhecemos que somos uma única família americana, todos merecendo tratamento igualitário, todos merecendo o mesmo respeito.”

Pregando a reconciliação entre os agentes da lei e as comunidades em que atuam, o presidente propôs uma discussão franca sobre as feridas reabertas com as mortes da semana passada. Obama censurou os ataques indiscriminados à policia feitos por ativistas que se manifestam contra abusos, ao mesmo tempo em que defendeu a necessidade de compreensão do que motiva os protestos. “Mesmo aqueles que não gostam da frase ‘Black Lives Matter’ (Vidas Negras Importam) deveriam ser capazes de entender a dor da família de Alton Sterling.”

O apelo à união e à reconciliação deu o tom da maioria dos pronunciamentos realizados durante a cerimônia. Morador de Dallas, o ex-presidente George W. Bush defendeu o exercício da empatia e da tolerância. “Com muita frequência, nós julgamos outros grupos por seus piores exemplos, enquanto julgamos a nós mesmos por nossas melhores intenções. E isso esgarçou nossos laços de compreensão e propósito comum.”

O orador aplaudido mais longamente na cerimônia foi o chefe de polícia de Dallas, David Brown, um homem negro que se to rnou a figura pública mais proeminente na resposta ao ataque a tiros. O oficial começou seu discurso lembrando que recitava letras de música para conquistar garotas em sua adolescência. E quando amava uma delas, ele recorria a Stevie Wonder para expressar seus sentimentos. Brown disse que faria o mesmo ontem e recitou a letra de As (Assim Como), que fala de um amor sem fim. “Não há amor maior do que esse: que esses cinco homens deram suas vidas por todos nós.”

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