Em data festiva chinesa, atos exigem renúncia de líder de Hong Kong

Manifestantes disseram que passeatas serão ampliadas se Leung não deixar o cargo até amanhã; não houve confrontos nesta quarta

O Estado de S. Paulo

01 de outubro de 2014 | 12h42

HONG KONG - A manifestação por mais democracia em Hong Kong, denominada popularmente revolução dos guarda-chuvas, ofuscou nesta quarta-feira, 1, o Dia Nacional da China com grandes protestos que se estenderam por toda a cidade e reuniram um número recorde de manifestantes desde que o movimento começou.

Milhares de pessoas encheram as ruas de Hong Kong, alguns vaiando as comemorações e estudantes ameaçaram intensificar as manifestações se o líder pró-Pequim da cidade não renunciar.

O líder estudantil Lester Shum emitiu um ultimato ao executivo-chefe do território, Leung Chun-ying: renunciar ou enfrentar passeatas ainda maiores. "Iremos aumentar a ação se Leung não se demitir até hoje à noite ou amanha à noite. Iremos ocupar mais instalações e escritórios do governo."

"Acredito que o governo está tentando ganhar tempo. Querem usar táticas como enviar algumas pessoas para semear o caos para terem um bom motivo para dispersar a multidão", acrescentou.

Houve poucos sinais de que o ímpeto esteja diminuindo no quinto dia do protesto "Occupy Central", que têm ocupado setores da cidade, entre eles o distrito financeiro, para expressar a revolta com a decisão chinesa de limitar a escolha dos eleitores na votação da liderança do país em 2017.

Muitos manifestantes temiam que a polícia usasse a força para dispersar a multidão antes das celebrações do aniversário da fundação da República Popular da China em 1949, mas a polícia não agiu.

A multidão paralisou grandes trechos do importante centro financeiro asiático e afetou os negócios, de bancos a joalherias. Não houve relatos de distúrbios nesta quarta, mas testemunhas disseram que o número de manifestantes cresceu no começo da noite (horário local).

"Acho que é um momento muito importante para protestar, para lutar por nossa liberdade. Quis vir com meus filhos para que experimentem, porque minha luta é para que eles possam viver a democracia no futuro", disse Brenda, dona de casa de 38 anos, que decidiu se aproximar de Mong Kok, uma das três zonas onde as pessoas começaram a se reunir esta manhã, junto com os filhos de 4 e 5 anos.

A tropa de choque usou gás lacrimogêneo, spray de pimenta e cassetetes para tentar apaziguar o tumulto no fim de semana, mas desde então as tensões diminuíram. Os protestos são os piores em Hong Kong desde que a China reassumiu seu governo em 1997.

Uma fonte governamental ligada a Leung afirmou que o líder e seus conselheiros planejam adotar uma abordagem mais suave. "Pode levar uma semana ou um mês, não sabemos. A menos que surja uma situação caótica, não enviaremos a tropa de choque, esperamos que isso não aconteça."

A China repudiou os protestos, que chamou de ilegais, e a liderança do Partido Comunista em Pequim viu como preocupantes as manifestações pró-democracia que se espalharam para os vizinhos Macau e Taiwan.

Reforçando o nervosismo entre alguns ativistas, temerosos de que provocações no dia da pátria poderiam levar à violência, os líderes dos protestos exortaram a multidão a não interromper a cerimônia de hasteamento da bandeira no ancoradouro Victoria, único evento dos organizados anualmente para comemorar a data que ocorreu nesta quarta.

O hasteamento da bandeira transcorreu pacificamente, embora dezenas de estudantes presente na Praça Bauhinia tenham vaiado a execução do hino nacional. Em um discurso, Leung defendeu ser "melhor votar do que não fazê-lo", mesmo que em um grupo de candidatos escolhidos previamente por Pequim. / EFE e REUTERS

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