EFE/EPA/ALESSANDRO DELLA VALLE
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Em Davos, Greta Thunberg pede ação imediata pelo clima, e Trump critica 'catastrofistas'

Em seu discurso, a jovem ativista sueca afirmou que é urgente zerar as emissões de carbono; uma hora depois, o presidente americano falou em 'discursos apocalípticos'

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2020 | 15h04

A jovem ativista sueca Greta Thunberg discursou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta terça-feira, 21, e pediu que líderes mundiais ouçam a juventude. “Nossa casa está pegando fogo”, disse Greta, repetindo uma frase usada por ela em 2019. 

"Não sou uma pessoa que pode reclamar sobre não ser ouvida", disse ela, despertando risadas da plateia em um painel intitulado "Construindo um caminho sustentável para um futuro coletivo", no primeiro dia da reunião anual do fórum.

“Sejamos claros. Não precisamos de uma ‘economia de baixo carbono’. Não precisamos ‘reduzir as emissões’. Nossas emissões precisam parar”, disse Greta.

Resposta de Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que também está em Davos, criticou os "catastrofistas" que alertam para as sérias consequências das mudanças climáticas, em um discurso diante de líderes políticos, econômicos e outras personalidades no fórum de Davos, entre elas a ativista sueca Greta Thunberg.

"Temos que rejeitar os eternos catastrofistas e suas previsões apocalípticas", disse Trump, poucas horas depois de Greta, que também está em Davos, denunciar que "nada tem sido feito" para combater o aquecimento global.

Trump acusou os "herdeiros dos insensatos videntes do passado" de se enganarem sobre a mudança climática, como já fizeram - segundo ele - quando previram décadas atrás a superpopulação do planeta, ou o fim do petróleo.

"Nunca deixaremos os socialistas radicais destruírem nossa economia", afirmou, em uma possível referência a seus rivais democratas na eleição presidencial americana, em novembro.

Já a ativista sueca intimou a elite econômica e política reunida esta semana em Davos e afirmou que, "na prática, não se fez nada" pelo clima, apesar da mobilização de jovens do mundo inteiro durante meses.

Para Entender

O que é e quem participa do Fórum Econômico Mundial de Davos?

O encontro, que acontece este ano entre os dias 21 e 24 de janeiro, promete movimentar a Suíça com mais de 3 mil personalidades e o retorno 'triunfal' de Donald Trump

"Estamos todos lutando pelo clima e pelo meio ambiente, mas, se olharem de uma perspectiva geral, na prática, não se fez nada. Precisamos de muito mais do que isso", afirmou Greta, na abertura do Fórum Econômico Mundial, lamentando que as "emissões de dióxido de carbono não tenham diminuído".

O discurso de Trump se concentrou em destacar com números abundantes as conquistas econômicas durante sua Presidência.

Ele também destacou o aumento da produção de petróleo, gás e carvão, que "teve tanto êxito que os Estados Unidos não precisam mais importar energia de nações hostis".

Em plena campanha para reeleição e a poucas horas da abertura de seu processo de impeachment em Washington, ele reafirmou sua política de "American First", saudando a trégua assinada na semana passada na guerra comercial com a China.

"O tempo do ceticismo terminou, as empresas afluem novamente nos Estados Unidos", insistiu.

O presidente americano deve ter conversas em Davos com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, bem como com o presidente iraquiano, Barham Salih. Este encontro acontece na sequência do assassinato no Iraque do poderoso general iraniano Qassem Soleimani, abatido pelas forças americanas.

Resta ver como os tomadores de decisão reunidos em Davos vão se posicionar em termos climáticos.

Em uma pesquisa recente da PwC realizada com quase 1.600 empresários, a mudança climática não está entre as dez principais ameaças à economia global em 2020, aparecendo apenas na 11ª posição./AFP e REUTERS

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