Cooper Neill/The New York Times
Cooper Neill/The New York Times

Em debate, republicanos tentarão conter o avanço de Trump

Pré-candidatos se enfrentam nesta quarta-feira; partido lança campanha para conquistar voto hispânico que magnata ameaça alienar

O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 21h35

WASHINGTON - Os pré-candidatos republicanos enfrentam-se na quarta-feira no segundo debate do partido no qual tentarão, assim como no primeiro, unir forças para conter o avanço do polêmico Donald Trump. Um deles estará mais forte: o neurocirurgião Ben Carson aproximou-se de Trump nas preferências de acordo com uma pesquisa divulgada ontem.

O debate será realizado e transmitido pela emissora CNN com formato parecido com o do primeiro, promovido pela Fox News, em 6 de agosto. A diferença é que agora serão 11 dos mais bem colocados nas pesquisas entre os 17 pré-candidatos. No primeiro, foram dez, mas a CNN decidiu incluir a única candidata, a ex-diretora executiva da Hewlett-Packard (HP), Carly Fiorina, no embate. 

Trump, até então isolado no primeiro lugar nas pesquisas, também enfrentará Ben Carson, cuja popularidade, segundo pesquisa da CBS e do jornal The New York Times divulgada nesta terça-feira, foi de 6% para 23% desde o primeiro debate. O magnata lidera com 27% de apoio, mas cresceu apenas 4 pontos porcentuais no mesmo período. 

Respaldado pelas pesquisas de intenção de voto entre os eleitores republicanos, Trump, no entanto, ameaça alienar o importante eleitorado latino, com suas declarações xenófobas e preconceituosas. No início de sua campanha, disse que os imigrantes mexicanos eram “criminosos” e “estupradores”.

Nesta terça-feira, no início das celebrações do Mês da Herança Hispânica, representantes da comunidade latina nos EUA afirmaram que seu voto será decisivo para se chegar à Casa Branca. Segundo eles, qualquer candidato que tenha essa ambição deve “evitar o modelo Donald Trump”. 

“Mais de 28 milhões de latinos estarão aptos para votar em novembro (de 2016). Com esse tipo de poder eleitoral, o caminho para a Casa Branca em 2016 passa pela comunidade latina”, declarou o diretor da Associação Nacional de Funcionários Públicos Latinos Eleitos (Naleo), Arturo Vargas, à agência de notícias EFE.

Os ataques do magnata do ramo imobiliário têm conseguido aglutinar a comunidade hispânica, que se prepara para se registrar (obrigatório nos EUA antes do voto) e ir às urnas em massa, disposta a influenciar na decisão presidencial, assim como fez nas eleições de 2012 em favor de Barack Obama.

Diante deste cenário, os hispânicos afirmaram que, desde esta terça-feira, celebrariam não só o “orgulho” por sua cultura, mas também o poder de “seu voto e sua voz”, afirmou María Teresa Kumar, presidente da organização Voto Latino. 

Ciente do poder desse grupo, o Partido Republicano lançou nesta terça-feira uma campanha na mídia para celebrar o Mês da Herança Hispânica, ainda que Trump não tenha abandonado sua retórica agressiva sobre esse público. Na agenda do partido, o Comitê Nacional Republicano promoverá 25 eventos em 8 Estados, incluindo alguns dos mais decisivos nas eleições, como Flórida, Carolina do Norte e Virgínia.

O tema da imigração deverá ser um dos mais importantes no debate. Os pré-candidatos deverão questionar Trump sobre sua proposta de deportar todos os 11 milhões de imigrantes que vivem em situação irregular nos EUA. 

Nesta terça-feira, o último comício de Trump antes do embate produziu algumas das cenas mais duras de conflito em sua campanha, quando centenas de pessoas se reuniram para protestar contra as posições do republicano sobre a imigração e entraram em choque com partidários dele que deixavam a arena esportiva American Airlines Center, em Dallas.

Milhares de participantes aplaudiram quando ele defendeu que a imigração ilegal é um “problema enorme”. Mas quando o comício terminou, os defensores caminharam até seus carros em meio aos manifestantes, gritando “Tenham vergonha”./ EFE, AP e REUTERS 

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