AP Photo/David Goldman
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Em debate democrata, Hillary e Sanders focam em relações com Cuba

Ex-secretária de Estado criticou Raúl e Fidel Castro, e Sanders pediu que embargo comercial imposto à ilha seja encerrado. Ambos se comprometeram a não deportar crianças e imigrantes ilegais que não tenham cometido crimes

O Estado de S. Paulo

10 de março de 2016 | 08h24

WASHINGTON - A questão envolvendo as relações com Cuba foi um dos temas do debate de quarta-feira entre os pré-candidatos do Partido Democrata à presidência dos EUA realizado em Miami, na Flórida, por meio dos ataques de Hillary Clinton aos irmãos Raúl e Fidel Castro e dos pedidos de Bernie Sanders para que se encerre o embargo comercial sobre a ilha.

"O povo cubano merece que seus direitos sejam respeitados. Os dois Castro devem ser considerados autoritários e ditatoriais. Espero que haja um dia em que em Cuba tenha líderes que sejam escolhidos pelo povo", respondeu a ex-secretária de Estado ao ser questionada sobre a normalização das relações entre os EUA e o país caribenho.

Sanders, por sua vez, defendeu que "o embargo deve acabar" e que é preciso "avançar para uma relação totalmente normalizada com Cuba".

"Cuba é um país autoritário e não democrático. Espero que seja um país democrático o mais breve possível. Mas, por outro lado, não seria correto não admitir que eles avançaram em saúde e educação. Estão mandando médicos para todo o mundo", especificou o senador por Vermont, que se autoproclama um socialista democrático.

"Acredito que restaurar totalmente as relações diplomáticas com Cuba melhoraria a vida dos cubanos e ajudaria os EUA", insistiu o senador.

Hillary atacou seu rival ao recordar que ele exaltou "a revolução dos valores" em Cuba em uma entrevista de 1985. "Não posso estar de acordo com isso. Se os valores são reprimir, fazer desaparecer e aprisionar gente por expressar sua opinião, estes não são os que quero para o meu país. Reprimir a liberdade de expressão não é o tipo de revolução que eu gostaria ver", afirmou a pré-candidata.

Deportação. Sanders e Hillary também se comprometeram a não deportar crianças e imigrantes ilegais que não tenham cometido crimes, e fizeram questão de destacar suas diferenças em relação à política do presidente Barack Obama com relação ao assunto.

Ambos os pré-candidatos asseguraram que se forem eleitos presidentes, não deportarão os menores, nem seus familiares que não tenham cometido crimes.

"Minha prioridade é deportar criminosos violentos", afirmou Hillary, que se distanciou da linha de Obama ao indicar que "não concorda" com as políticas migratórias do "atual governo", evitando citar diretamente o presidente. Sanders lamentou que Obama "esteja errado na questão das deportações" e disse que está "em desacordo" com ele.

O presidente americano foi muito criticado recentemente por parte de organizações latinas e pró-imigrantes pelas batidas contra imigrantes ilegais que aumentaram desde o início de 2016 e que afetam a comunidade hispânica.

Hillary ainda lembrou que seu rival votou em 2007 contra uma proposta de reforma migratória no Senado promovida pelo então senador Ted Kennedy, enquanto ela, que era senadora por Nova York, a apoiou.

"Acredito que a maior oportunidade de levar em frente uma reforma migratória integral foi na proposta de 2007. Eu votei a favor, Sanders contra. Que a medida promovia o trabalho escravo (como alegou Sanders) foi uma das muitas desculpas usadas para votar contra", disse a ex-secretária de Estado.

Em resposta, Sanders lembrou que grandes associações latinas também se posicionaram contra a proposta migratória em 2007, ao compartilhar com ele seus temores de que esta amparava a falta de proteção e a exploração laboral dos imigrantes.

O debate foi organizado conjuntamente pela emissora Univisión e o jornal The Washington Post. /EFE

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