REUTERS/Lucas Jackson
REUTERS/Lucas Jackson

Em debate democrata, Biden e Kamala Harris batem boca sobre saúde

Ex-vice-presidente e senadora retomaram ataques logo nos primeiros minutos do evento

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2019 | 00h52

MICHIGAN, EUA - O ex-presidente Joe Biden e a senadora Kamala Harris, da Califórnia, retomaram ontem quase instantaneamente sua rivalidade política no debate de ontem à noite do Partido Democrata em Detroit, com Biden acusando Harris de ter uma “conversa dupla” sobre a questão da saúde, um tema central da campanha, e a senadora defendendo seu recém-revelado plano como uma versão pragmática de atendimento de pagamento único.

Um ao lado do outro no palco em Detroit, os dois candidatos cujas discussões sobre raça e integração escolar definiram o primeiro da série de debates, se engajaram desta vez em debater como cobrir os custos médicos dos americanos.

Biden adotou a ofensiva, destacando que Harris apresentou vários planos sobre a questão, o mais recente dos quais custaria trilhões de dólares e prejudicaria o atual sistema de seguridade privada.

Segundo Harris, a proposta de Biden de criar um seguro-saúde eletivo respaldado pelo governo deixaria muitos americanos sem cobertura.

Ecoando algumas críticas que os democratas centristas fizeram contra os senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren no debate da noite de terça-feira, o ex-vice-presidente advertiu que o plano de Harris seria dispendioso e levaria muito tempo para surtir efeito.

Defendendo sua proposta, Biden propôs uma atualização do sistema criado durante o governo de Barack Obama. “Minha resposta é: Obamacare está funcionando”, disse Biden.

Esta foi a segunda noite em que os principais 20 pré-candidatos do Partido Democrata a disputar a Casa Branca em 2020, divididos em dois grupos, debateram sobre o futuro do sistema de saúde no país.

As discussões expuseram uma divisão profunda no Partido Democrata entre os reformistas mais tradicionais, os que estão buscando melhorar as políticas do governo Obama e os liberais agressivos que esperam uma revisão das políticas do governo americano de um modo mais amplo. 

No primeiro debate, em junho, Biden viu sua preferência cair significativamente após ser confrontado por Harris em temas raciais. Ela o criticou por se opor ao uso do transporte escolar na integração racial nos anos 70, uma exigência federal, e por trabalhar com segregacionistas quando atuava no Senado dos EUA décadas atrás.

O ataque contundente impulsionou Harris nas pesquisas eleitorais, e a reação tímida de Biden enfraqueceu sua posição. Mas ele se recuperou em algumas sondagens recentes e continua na liderança, graças ao apoio firme dos eleitores negros. Segundo o RealClearPolitics, site que faz a média de todas as pesquisas nos EUA, Biden lidera com 32,2% das intenções de voto. 

Os postulantes vêm disputando atenção e apoio financeiro na corrida democrata para escolher quem desafiará o presidente republicano, Donald Trump, nas eleições de novembro de 2020. 

Desde o primeiro debate, o ex-vice-presidente se viu envolvido em uma batalha crescente com Harris e com o senador Cory Booker pelo voto negro, um eleitorado vital na disputa pela nomeação democrata.

Segundo o New York Times, as esperanças dos moderados repousam agora sobre Biden mais do que nunca e na sua capacidade de decidir se sua ala dentro do partido terá ou não um nome convincente para as próximas seis semanas, até que se inicie a próxima rodada de debates, em setembro.  / NYT, REUTERS, EFE e AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.