Lucas Jackson / Reuters
Lucas Jackson / Reuters

Em debate do Partido Democrata, Joe Biden é alvo principal de pré-candidatos

Ex-vice de Barack Obama foi confrontado sobre assistência médica, imigração, justiça penal e questões raciais

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2019 | 02h30

DETROIT, ESTADOS UNIDOS - Joe Biden, favorito entre os democratas para enfrentar o presidente Donald Trump nas eleições de 2020, foi o principal alvo no segundo debate entre os pré-candidatos do partido, realizado nesta quarta-feira, 31, em Detroit.

O ex-vice de Barack Obama foi confrontado sobre assistência médica, imigração, justiça penal e questões raciais, entre outros temas, no debate organizado pela CNN em Michigan, um estado conhecido por oscilar entre democratas e republicanos.

A tensão ficou rapidamente evidente entre Biden, que lidera as pesquisas entre os democratas com 32,2%, e o grupo de nove pré-candidatos que participou do debate desta quarta. Biden teve como principal algoz a senadora Kamala Harris (10,8%), que já havia batido no ex-vice no primeiro debate, em Miami, sobre questões raciais.

Harris voltou a questionar Biden por sua oposição, nos anos 1970, ao "busing", um sistema de transporte que buscava acabar com a segregação racial no ensino público. "Se esses segregacionistas tivessem vencido, eu não seria membro do Senado (...) nem Barack Obama poderia tê-lo nomeado vice-presidente".

Biden criticou os custos do plano de assistência médica proposto por Harris, e a senadora respondeu que ele garante a verdadeira cobertura universal. "Vice-presidente Biden, você está simplesmente equivocado" sobre esse assunto.

Único hispânico na disputa, Julián Castro (1%) disparou contra Biden por não apoiar sua ideia de descriminar as entradas não autorizadas pela fronteira. Biden respondeu que jamais ouviu falar no assunto quando era secretário de Habitação de Obama e Castro retrucou: "parece que um de nós aprendeu as lições do passado e outro, não".

O senador Cory Booker (1,7%) questionou a postura de Biden envolvendo a permanência de estudantes estrangeiros de doutorado no país, semelhante a de Trump, que favorece a chegada de imigrantes graduados. Booker também criticou Biden por suas decisões sobre justiça penal: "neste momento, há pessoas presas pelo resto da vida por crimes envolvendo drogas porque você defendeu esta retórica falsa". Biden reagiu lembrando que quando Booker era prefeito de Newark defendeu a identificação e a detenção de suspeitos negros. "Não se trata do passado. Trata-se do presente", retrucou Booker.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio (0,5%), alinhado à ala mais radical do partido, defendeu uma "reestruturação da sociedade". "Vamos cobrar impostos dos ricos."

No debate de terça-feira, Bernie Sanders e Elizabeth Warren foram criticados pelos pré-candidatos moderados. As duas figuras democratas de perfil mais progressista foram duramente questionadas por candidatos menos conhecidos, que expressaram temor de que as ideias de Sanders e Warren afugentem os eleitores independentes, fortalecendo, assim, a reeleição de Donald Trump.

Sanders e Warren, com 16% e 14% das intenções de voto, respectivamente, são conhecidos críticos do poder de Wall Street e favoráveis a um sistema de saúde universal, representando uma opção à esquerda na corrida pela indicação democrata, que começará com as primárias de Iowa, em 3 de fevereiro. Críticos alertam para os riscos de o partido Democrata se colocar muito à esquerda do espectro na corrida para 2020. Como parte de sua estratégia de campanha, Trump não se cansa de afirmar que todos os pré-candidatos democratas abraçaram o "socialismo radical"./ AFP

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