Tamir Kalifa/The New York Times
Tamir Kalifa/The New York Times

Em debate, democratas centram ataques em Trump e críticas em Elizabeth Warren

Pré-candidatos do partido à Casa Branca foram enfáticos contra o presidente republicano e defenderam processo de impeachment contra ele; senadora por Massachusetts foi principal alvo de seus correligionários

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2019 | 12h06

WESTERVILLE, ESTADOS UNIDOS - Os pré-candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos mostraram na noite de terça-feira, 15, estarem unidos contra o presidente americano, Donald Trump, em um debate no qual a candidatura em alta da senadora Elizabeth Warren foi o centro das críticas de seus rivais.

Os doze pré-candidatos atacaram Trump enfaticamente, apoiando a investigação na Câmara que pode levar ao impeachment do presidente, e criticando a retirada das tropas americanas da Síria - qualificada pelo favorito na disputa, Joe Biden, como uma “decisão vergonhosa”.

O debate foi o primeiro desde a revelação das pressões de Trump sobre a Ucrânia para buscar informações comprometedoras sobre Biden, que desencadeou um terremoto na política dos EUA, e também colocou o ex-vice-presidente em uma posição constrangedora pelos questionamentos sobre o trabalho de seu filho em Kiev.

“Este é o presidente mais corrupto da história dos Estados Unidos", afirmou Biden, que continua na liderança das pesquisas democratas com 29,4%, seguido de perto pela senadora por Massachusetts Elizabeth Warren, com 23,4%. 

"O processo de impeachment deve continuar", disse Warren no primeiro debate em que foi o centro dos ataques de vários de seus adversários por seu apoio a um sistema público de saúde.

Centristas criticam Warren

O debate também era esperado por marcar o retorno à campanha de Bernie Sanders, que sofreu um infarto há duas semanas. O senador progressista está na terceira posição na corrida democrata, com 15,6% da intenções.

Assim como nos debates anteriores, as posições dos pré-candidatos na questão da saúde, desde os que são defendem uma cobertura universal como Sanders ou Warren, ou os que são a favor de uma forte presença do setor privado como Biden, mostram o amplo espectro político do grupo.

Sanders criticou o atual sistema de saúde dos EUA, qualificado de "disfuncional" e "cruel". "A questão é se o Partido Democrata terá coragem para enfrentar a indústria da saúde", disse Sanders com voz rouca.

Para Warren, que disputa os eleitores mais à esquerda do Partido Democrata, o ponto-chave é que se pratique um "capitalismo responsável", o que marca um distanciamento com Sanders, que defende um socialismo democrático.

"Já deixei claro meus princípios aqui e disse que comigo os custos vão subir para os ricos e para as grandes corporações, e vão baixar para as pessoas trabalhadoras da classe média", disse a senadora.  

Warren, que escapou ilesa dos primeiros debates, desta vez foi alvo de outros pré-candidatos. "A diferença entre um plano e um sonho impossível é a sua realização", disse a senadora por Minnesota Amy Klobuchar.

Pete Buttigieg, o jovem prefeito de uma cidade de Indiana, criticou o perfil acadêmico de Warren e disparou: "Sua marca é ter um plano para tudo, menos para isto", em referência à saúde. 

Biden promete publicar histórico médico

Questionado sobre como pretende convencer os eleitores de que sua saúde está bem, Sanders afirmou que “lançará uma campanha vigorosa para todo o país", começando com um comício em Nova York, com um "convidado especial".

Segundo os meios de comunicação americanos, deve se tratar, na verdade, de uma convidada: a congressista Alexandria Ocasio-Cortez, que deve endossar a campanha de Sanders à Casa Branca.

O problema de saúde de Sanders, de 78 anos, também é ruim para Biden, que tem 76 anos, recebeu críticas por sua falta de vitalidade e voltou a balbuciar durante o debate.

Biden se defendeu afirmando que antes do início das primárias - em Iowa, no dia 3 de fevereiro de 2020 - tornará público seu histórico médico.

Os democratas também discutiram a origem do processo de impeachment contra Trump: o pedido do presidente para o governo da Ucrânia investigar Hunter Biden, que trabalhou para a empresa de gás ucraniana Burisma quando seu pai, Joe Biden, era vice-presidente, o que seria um conflito de interesses.

Na terça-feira, em uma entrevista à ABC, News Hunter se defendeu contra acusações de qualquer ilegalidade no caso ucraniano, mas reconheceu que cometeu um "erro político”.

"Meu filho não fez nada de errado", declarou Biden. "O que temos que fazer agora é focar em Trump porque ele não quer que eu seja candidato. Ele vai me atacar porque sabe que se eu receber a indicação, vou golpeá-lo como se ele fosse um tambor", disse o ex-vice-presidente. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.