Alan Santos/PR
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Bolsonaro e Netanyahu anunciam criação de escritório do Brasil em Jerusalém

Porta-voz da Presidência esclareceu que representação não terá status diplomático e tratará de 'questões de comércio, ciência e tecnologia'; durante a campanha eleitoral, Bolsonaro prometeu transferir a embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém

Célia Froufe e Cristiano Dias,, Enviados Especiais / Jerusalém

31 de março de 2019 | 12h51
Atualizado 01 de abril de 2019 | 12h00

JERUSALÉM -  O Brasil abrirá um escritório diplomático em Jerusalém como extensão da embaixada em Tel-Aviv, anunciou neste domingo, 31, o ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, durante a visita oficial que o presidente Jair Bolsonaro realiza em Israel.

De acordo com o Itamaraty, parte da declaração lida em conjunto com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, estabelece um escritório brasileiro para a promoção do comércio, investimento, tecnologia e inovação.

O escritório brasileiro de negócios, no entanto, não terá status de Embaixada, esclareceu o porta-voz da Presidência da República, Otávio Santana do Rêgo Barros. "Não tem status diplomático", afirmou. "Vai tratar das questões de comércio, ciência e tecnologia como foi apresentado a vocês pela declaração", continuou.

Inicialmente, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil havia informado à imprensa que o escritório seria instalado como "parte da embaixada" do Brasil em Israel, que fica em Tel-Aviv. Minutos depois, o comunicado foi alterado sem esse trecho.

Apesar de a Embaixada brasileira estar localizada em Tel-Aviv, a cerca de 65 quilômetros de distância de Jerusalém, a criação do escritório é importante, de acordo com o porta-voz, para que essas áreas sejam desenvolvidas na cidade. 

Durante a campanha, o então candidato Jair Bolsonaro prometeu que iria transferir a Embaixada do Brasil de Tel-Aviv para Jerusalém, assim como fez o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas recentemente declarou que o americano demorou nove meses após a posse para tomar a decisão.

Mais cedo, após o anúncio, ninguém do governo conseguia explicar para os jornalistas brasileiros que acompanham a comitiva presidencial em Israel sobre a importância dada ao novo estabelecimento. Questionado sobre a dimensão política que o escritório teria, Rêgo Barros disse que seria para que essas áreas que abrangerá sejam discutidas em Jerusalém.

Não há com a criação do escritório, de acordo com ele, o reconhecimento de Jerusalém como capital. "O nosso presidente continua avaliando essa possibilidade, mas no momento isso não foi colocado à mesa", disse, acrescentando que o escritório será conduzido por pessoas que não estão dentro da carreira diplomática.

O general disse também sobre a continuidade da Embaixada do Brasil em Tel-Aviv que o presidente faz as ações de acordo com a análise feita pelo seu ministério. "Assim deve ser com todas as questões que são importantes para o nosso governo." 

Ele afirmou ainda que se tratou de uma decisão unilateral do governo brasileiro. "Não houve uma mudança. Toda vez que o nosso governo vai tomar uma decisão em qualquer que seja o campo, ele busca uma análise consensual, pragmática, a partir de estudos realizados pelo próprio governo", pontuou, acrescentando, no entanto, que não poderia indicar as razões porque se trata de uma análise "intramuros" do governo brasileiro. "Se necessário for, nós a colocaremos para vocês."

Bom relacionamento

"Obrigado por abrir um escritório diplomático em Jerusalém! Israel e Brasil são verdadeiros amigos, com valores comuns, e fortaleceremos a cooperação entre os nossos países", escreveu Katz nas redes sociais, horas antes de Bolsonaro participar da entrevista coletiva com Netanyahu.

Ao lado do premiê, Bolsonaro declarou que o "casamento" entre Brasil e Israel trará muitos benefícios à população dos dois países. "Olha o que Israel tem, ou melhor, o que Israel não tem, e veja o que eles são. Agora, olha o que o Brasil tem o que nós não somos. Esse nosso casamento no dia de hoje trará muitos benefícios aos nosso povos. Estou muito feliz. Peço a Deus que continue nos iluminando para tomarmos boas decisões", declarou. Além disso, o brasileiro afirmou que "falta pouco" para o desenvolvimento do Brasil.

Bolsonaro destacou o desejo de fazer o País se desenvolver na área da piscicultura. Ele agradeceu Netanyahu por ter aceitado uma proposta do secretário da Pesca, José Seif Júnior, a quem chamou de "Jorge Seif Neto". Os dois não detalharam, no entanto, que proposta seria essa. O presidente agradeceu ainda Israel pela "hospitalidade e portas abertas para novos acordos" e pela ajuda humanitária enviada a Brumadinho (MG) após o rompimento de uma barragem.

Em referência a uma frase da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, Bolsonaro declarou ser "terrivelmente cristão".

Ao falar, o premiê israelense afirmou que suas declarações eram "palavras do coração" e não um discurso. "Sentimos uma eletricidade no ar e eu acho que o senhor está dando uma esperança muito grande para o Brasil", disse, lembrando que esteve na posse de Bolsonaro no Brasil, em janeiro.

Netanyahu ainda afirmou esperar que a abertura de um escritório comercial do Brasil em Jerusalém seja o primeiro passo para a transferência da embaixada brasileira de Tel-Aviv para aquela cidade.

"Eu vou contar um segredo a vocês. Eu espero... é o primeiro passo que, quem sabe, chegue um dia a embaixada do Brasil em Jerusalém. Quero abençoar o senhor, amigo, e dizer a você que o senhor e à sua delegação que o senhor trouxe: sejam bem-vindos a Jerusalém, capital de Israel", discursou o primeiro-ministro, de acordo com a tradução simultânea.

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