Aaron P. Bernstein/Reuters
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Congresso sepulta plano de Trump de derrubar legado de Obama na saúde

Republicanos tentavam aprovar projeto para derrubar partes do sistema de saúde criado por Obama em 2010, mas não conseguiram os 51 votos necessários; John McCain, Lisa Murkowski e Susan Collins votaram junto aos democratas contra a proposta

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

28 Julho 2017 | 02h52
Atualizado 28 Julho 2017 | 20h33

Em meio a uma guerra aberta entre assessores, o presidente Donald Trump sofreu nesta madrugada sua maior derrota no Congresso desde sua posse e viu naufragar os esforços de sete anos dos republicanos para revogar o Obamacare, a reforma do sistema de saúde aprovada em 2010 pelos democratas. Poucas horas depois da votação, ele anunciou a demissão de seu chefe de gabinete, Reince Priebus.

Com uma diferença de um voto, o Senado enterrou o que foi batizado de “rejeição magra” do Obamacare e impediu a realização de uma das principais promessas de campanha de Trump. A proposta acabava com alguns aspectos da lei, entre os quais o pagamento de multa pelos que não têm seguro-saúde, a obrigatoriedade de empresas com mais de 50 empregados oferecerem seguro-saúde a seus funcionários e a exigência de cobertura de procedimentos básicos.

Pouco mais de 24 horas antes da votação, a Casa Branca foi tomada por um conflito público entre o novo diretor de Comunicações, Anthony Scaramucci, e Priebus. Usando palavrões, Scaramucci deu uma entrevista à revista New Yorker na qual acusou o chefe de gabinete de fazer vazar suas informações financeiras ao site Politico. Os dados eram públicos e foram solicitados por meio de canais oficiais. 

Enquanto os senadores discutiam a reforma do sistema de saúde, na quinta-feira, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, rejeitava dizer se o presidente mantinha confiança em Priebus. Hoje, Scaramucci e Priebus viajaram no Air Force One com Trump para um evento em Long Island.

Na volta, o presidente anunciou no Twitter a substituição do chefe de gabinete pelo atual secretário de Segurança Interna, o general John Kelly. No fim da tarde, Sanders disse que Trump e Priebus conversavam há duas semanas sobre o melhor momento para a saída. Segundo ela, a decisão não teve relação com as declarações de Scaramucci.

Durante a madrugada, Trump usou a rede social para reagir à derrota da proposta de rejeição do Obamacare: “3 republicanos e 48 democratas desapontaram o povo americano. Como eu disse desde o começo, deixem o Obamacare implodir, e então negociar. Assistam!”, tuitou às 2h25. 

Entre os republicanos que votaram contra o governo estava o senador John McCain. Diagnosticado com uma forma agressiva de câncer no cérebro, ele interrompeu sua licença médica para participar do debate, que chegou ao fim com um placar de 51 votos a 49 votos.

O debate, que se arrastou por seis meses, evidenciou as fraturas do Partido Republicano. “A realidade é que em sete anos e meio os republicanos não conseguiram elaborar um plano que fosse popular e efetivo”, afirmou Geoffrey Kabaservice, autor do livro Rule and Ruin (Governar e Arruinar), no qual analisa o encolhimento da ala moderada da legenda. 

“A ameaça de Trump de deixar o Obamacare implodir é carregada de riscos políticos”, afirmou. “Ele está equivocado se pensa que os republicanos não serão responsabilizados por isso.” 

Problemas do atual modelo e a incerteza em relação ao futuro do sistema provocaram instabilidade em mercados em que os seguros são negociados. Algumas empresas abandonaram o Obamacare e o preço de muitos contratos subiu. 

As dificuldades na base parlamentar foram agravadas pela desorganização e rivalidades no governo. Trump tem humilhado publicamente seu secretário de Justiça, Jeff Sessions, o primeiro senador republicano a apoiá-lo. Além de Priebus, Scaramucci também atacou Steve Bannon, o estrategista-chefe da Casa Branca, com quem continuará a trabalhar. 

 

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