Alyssa Pointer/Pool via Reuters
Alyssa Pointer/Pool via Reuters

Em despedida a John Lewis, Obama liga Trump a líderes racistas do sul americano da década de 60

Ex-presidente associou o início da vida de Lewis como ativista aos protestos que se seguiram à morte de George Floyd e comparou a operação com gás lacrimogêneo contra ativistas pacíficos às mesmas lutas que o deputado travou

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2020 | 19h16

ATLANTA - O ex-presidente Barack Obama fez um chamado ao combate ao racismo em sua homenagem a John Lewis, em seu funeral, nesta quinta-feira, 30, instando o Congresso a aprovar novas leis de direito ao voto e ligando o presidente Donald Trump a líderes racistas do sul que lutaram contra os esforços dos ativistas de direitos civis na década de 60. Lewis, morto no dia 17, é considerado um ícone entre os que militaram pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos

Falando por cerca de 40 minutos, Obama associou o início da vida de Lewis como ativista aos protestos que se seguiram à morte de George Floyd nas mãos da polícia de Minneapolis. Ele comparou a operação na Praça Lafayette, em Washington, com gás lacrimogêneo contra ativistas pacíficos, às mesmas lutas que Lewis travou.

"Bull Connor pode ter morrido, mas hoje testemunhamos com nossos próprios olhos policiais ajoelhados no pescoço dos negros americanos", disse o primeiro presidente negro dos EUA no funeral de Lewis. “George Wallace pode ter morrido, mas podemos testemunhar nosso governo federal enviando agentes para usar gás lacrimogêneo e cassetetes contra manifestantes pacíficos. Mesmo enquanto estamos sentados aqui, há pessoas no poder que estão se esforçando para desencorajar as pessoas a votar.”

Connor usou cães policiais e mangueiras contra manifestantes no Alabama. Wallace, que atuou como governador do Alabama, fez uma carreira no combate aos direitos civis.

Obama foi um dos três ex-presidentes - junto com George W. Bush e Bill Clinton - a homenagear Lewis na Igreja Batista Ebenezer, em Atlanta. Um quarto ex-presidente, Jimmy Carter, de 95 anos, muito frágil para viajar, enviou um texto de homenagem que foi lido no púlpito, uma vez liderado por Martin Luther King.

O presidente Trump, que entrou em conflito com Lewis no início de seu mandato na Casa Branca, não compareceu ao funeral ou a nenhum dos outros eventos no Capitólio para homenagear Lewis, um congressista que estava em seu 17º mandato.

Obama não mencionou Trump pelo nome, mas foi claro nas referências que fez ao presidente republicano, que usou tropas da Guarda Nacional contra manifestantes em Washington e enviou agentes recentemente para Portland, Oregon. 

O ex-presidente também criticou as tentativas republicanas de suprimir a votação da minoria e os repetidos ataques de Trump à votação por correio. 

"Enquanto estamos sentados aqui, há pessoas no poder que estão fazendo todo o possível para desencorajar as pessoas a votar, fechando os centros de votação e atacando minorias e estudantes com leis restritivas de identidade e atacando nossos direitos de voto com precisão cirúrgica, até prejudicando o serviço postal no período que antecede uma eleição que dependerá da votação por correio para que as pessoas não fiquem doentes" pela pandemia de coronavírus, disse Obama. 

Trump lançou outro ataque à votação por correio nesta quinta-feira, que deverá desempenhar um papel maior nas eleições de novembro devido ao coronavírus. 

"Com a votação universal pelo correio (não a votação ausente, que é boa), a votação de 2020 será a eleição mais IMPRECISA E FRAUDULENTA da história. Uma grande vergonha para os Estados Unidos", disse Trump em uma postagem no Twitter. "Atrasar as eleições até que as pessoas possam votar adequadamente, com segurança?", perguntou. 

Em homenagem a Lewis, que morreu em 17 de julho aos 80 anos, Obama disse que o ex-congressista democrata fez "tudo o que pôde para preservar essa democracia e, enquanto respirarmos em nossos corpos, precisamos continuar com sua causa"./ W.Post e EFE 

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