Victor R. Caivano|AP
Victor R. Caivano|AP

Em desvantagem, time kirchnerista vê debate com Macri como ‘final de Copa’

Pesquisa publicada ontem pelo ‘La Nación’ mostra candidato opositor 8,5 pontos porcentuais à frente de Scioli, 48,7% ante 40,2%

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2015 | 06h40

 BUENOS AIRES - A equipe do governista Daniel Scioli trata o debate de domingo contra o conservador Mauricio Macri como sua maior chance de reverter um quadro desfavorável segundo todas pesquisas, até as encomendadas pelos kirchneristas. Em razão da desvantagem e da audiência que terá o duelo a uma semana da votação, o encontro foi comparado nesta quarta-feira, 11, a uma decisão de Mundial por um dos mentores do programa de governo de Scioli.

“Alguns preveem 50 pontos de audiência. Isso é Argentina e Brasil na final de um Mundial. É uma excelente oportunidade para diante da sociedade dizer não só que objetivos queremos alcançar, mas como”, disse Gustavo Marangoni, presidente do Banco da Província de Buenos Aires.

O quadro posterior ao primeiro turno mudou a percepção sobre a pertinência dos debates pela campanha do representante kirchnerista. Quando as sondagens colocavam Scioli perto de uma vitória sem necessidade de segunda votação, ele não quis expor diante dos cinco opositores. Em um debate esvaziado pela falta de transmissão de TVs e rádios kirchneristas, eles discutiram propostas, mas principalmente criticaram quem faltava.

A votação do dia 25, quando Scioli obteve 37% dos votos e Macri, 34,1%, reverteu não só a expectativa de um triunfo rápido, mas a perspectiva de ganhador. Uma pesquisa da consultoria Poliarquía publicada nesta quarta-feira pelo jornal La Nación, crítico ao kirchnerismo, mostra Macri 8,5 pontos à frente de Scioli (48,7% ante 40,2%). A maior explicação para essa vantagem é a decisão dos 5,2 milhões de eleitores do terceiro colocado, o ex-kirchnerista Sergio Massa – 59% acompanhariam Macri e 22%, Scioli.

O governista esforçou-se para atrair esses votos, de peronistas como ele. Incluiu em seu programa trechos concretos de projetos de Massa, com benefícios a aposentados e reforço na luta contra o narcotráfico. “Nosso objetivo é usar todas as ferramentas para persuadir os argentinos que ainda não tomaram uma decisão e fazer refletir os que já tomaram. O debate será um evento muito importante”, acrescentou Marangoni.

Conforme outra pesquisa, publicada ontem no jornal kirchnerista Página 12, a vantagem de Macri é de 3,8 pontos. A publicação destaca que a diferença, medida pelo instituto Hugo Jaime e Asociados, caiu em relação à semana passada, quando era de 7,3 pontos. Após o debate, a divulgação de novas sondagens de opinião já estará proibida.

Se na equipe de Scioli o debate é considerado decisivo, no time de Macri ele é visto como uma etapa mais. Na quarta-feira, o chefe da campanha conservadora, Marcos Peña, sustentou que seu candidato não faz preparação específica e seguirá com a agenda prevista, com viagens até o sábado à tarde. “Fomos a sete debates, já estamos acostumados. Não estamos preocupados”, afirmou.

Scioli passa por treinamento diário nos moldes americanos, em que integrantes da campanha se revezam por algumas horas no papel de opositor. “Temos informação de que Macri se apresentará como o ganhador, tentando aparentar calma”, disse ontem um integrante de sua equipe de comunicação. A estratégia de Scioli será apresentar a proposta, dizer como a concretizará e perguntar o que o adversário faria.

Segundo o serviço de espionagem kirchnerista, Macri usará a frase “serei mais Scioli do que nunca”, dita pelo governista após o segundo turno, para questionar porque ele não foi “tão Scioli” nos oito anos de administração da Província de Buenos Aires. A região, onde estão 37% dos eleitores do país, passará a ser governada pela primeira vez em 28 anos por um não peronista, María Eugenia Vidal, que tem aparecido tanto ou mais na campanha do que Macri. Se conservar os votos que María Eugenia conseguiu na província, Macri provavelmente receberá a faixa presidencial de Cristina Kirchner no dia 10.

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