Em dez anos, equatorianos viram oito presidentes

Cenário: Luiz Raatz

O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2013 | 02h05

Estabilidade política nunca foi o ponto forte do Equador, país de área semelhante à do Estado do Piauí, com pouco mais de 250 mil quilômetros quadrados, e população parecida com a do a cidade do Rio de Janeiro (cerca de 15 milhões). Desde a independência, em 1822, passando pelo período da separação da República da Grã-Colômbia, em 1830, o país passou por uma série de golpes e rebeliões e guerras territoriais com seus vizinhos.

Na história recente, mergulhados numa profunda crise econômica e monetária - que resultou na dolarização da economia, os equatorianos viram seus país passar pelas mão de nada menos que oito presidentes num período de dez anos. O entra e sai presidencial começou em fevereiro de 1997, quando Abdalá Bucaram, eleito seis meses antes, foi alvo de uma controvertida destituição pelo Legislativo, que o considerou "mentalmente incapaz". Nos quatro dias que se seguiram ao impeachment de Bucaram, outros dois presidentes passaram pelo Palácio de Carondelet: Rosalía Arteaga e Fabián Alarcón.

Outros três presidentes não cumpriram o mandato constitucional de quatro anos: Jamil Mahuad - forçado a renunciar em meio a violentos protestos contra a crise econômica -, Gustavo Noboa e Lucio Gutiérrez, este último destituído por impeachment, sob acusação de corrupção.

Alfredo Palacio o substituiu em 2005 e entregou o poder a Rafael Correa, apenas o quarto presidente equatoriano a cumprir integralmente o mandato desde a 2.º Guerra, em janeiro de 2007.

Além da tensão social histórica causada pela pouca atenção dada pela elite branca aos grupos indígenas que compõem a maioria da população, a instabilidade política sempre teve como uma de suas principais fontes as questões econômicas. Nas manifestações populares lideradas pelas comunidades indígenas de 21 de janeiro de 2000 em Quito, o Exército e a polícia se recusaram reprimir os manifestantes e em seguida a Assembleia Nacional Constituinte, num golpe de Estado semelhante aos muitos já ocorridos no Equador, instituiu uma junta tripartite para intervir na administração do país.

Esses protestos resultaram na deposição de Mahuad, após a reforma monetária que levou o dólar americano a substituir a moeda vigente, o sucre.

A reforma monetária foi vista inicialmente pelas classes de baixo poder aquisitivo como um castigo. A conversão dos sucres para o dólar provocaria grandes perdas para os pobres, enquanto as camadas mais ricas da população, que já faziam negócios com a moeda americana somaria grandes lucros.

O Equador passou à órbita dos países bolivarianos - liderados pelo venezuelano Hugo Chávez - em 2003, com a eleição do coronel Lucio Gutiérrez, que integrara a junta militar que assumiu o poder em 2000 e prometera uma administração voltada para a redução do abismo social..

A política de dolarização permaneceu e começou a promover os primeiros efeitos na contenção da hiperinflação e da recessão. Gutiérrez, porém, com uma bancada minoritária no Legislativo, teve de negociar com outros partidos e recuar no projeto de modificar a legislação para endurecer as normas contra a corrupção.

Os protestos de rua voltaram e as Forças Armadas retiraram o apoio ao seu governo. Gutiérrez sofreu impeachment em 2005 e entregou o poder ao vice, Palacio.

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