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Em dia de eleições, Musharraf pede conciliação a paquistaneses

Cerca de 500 mil homens protegem postos eleitorais; oposição diz que governo fraudará pleito parlamentar

REUTERS

18 de fevereiro de 2008 | 07h24

O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, pediu pela reconciliação do país nesta segunda-feira, 18, após ter dado seu voto na eleição geral. Protegidos por um forte esquema que inclui cerca de meio milhão de agentes de segurança, os paquistaneses começaram nesta segunda-feira a votar nos nomes que devem formar o próximo governo do país. Além de 80 mil integrantes regulares do Exército, o governo mobilizou cerca de 420 mil policiais e diversos "rangers", grupos armados que atuam sob o comando das Forças Armadas.  "Precisamos deixar essa abordagem de confrontamento e adotar um tom conciliatório. Eu mesmo ficarei comprometido com uma política de conciliação com todos", disse Musharraf a repórteres. A popularidade do presidente despencou no último ano devido às suas manobras para permanecer no poder, as quais incluíram um estado de emergência de seis semanas e confrontos com o Judiciário. Muitos paquistaneses também culpam o governo por aumento de preços, falta de alimentos e freqüentes cortes de energia. As urnas abriram às 8h (0h, horário de Brasília) e fecharão às 17h, e os resultados deverão começar a sair por volta de meia-noite.  Mesmo com a ameaça de violência rondando o pleito, muitos dos que saíram de casa na capital Islamabad e na vizinha Rawalpindi para depositar seu voto dizem não sentir que estão correndo riscos. "Votei sem medo porque a afeição que sinto pelo meu candidato me protege", afirmou à BBC Brasil Bushra Igaz, que votou em uma sessão eleitoral só para mulheres em Rawalpindi.  A poucos metros há outro local de votação só para homens. Eles entram de um em um e esperam pacientemente sua vez de votar, conversando sobre política. Questionados se têm medo de possíveis atos violentos, todos são unânimes em dizer que não. "Deus vai nos proteger e nada vai acontecer. Essas eleições são importantes para mudar o pais", afirma Abdullah Aviú.  Mas muitos analistas acreditam que a violência deve ser um fator que contribuirá para um baixo comparecimento eleitoral, ainda menor do que os 41% que votaram nas ultimas eleições, em 2002. De acordo com a Comissão Eleitoral, o comparecimento era de cerca de 15% três horas depois da abertura das urnas. Benazir Bhutto Nos últimos meses, a oposição vem acusando o governo de usar violência contra seus simpatizantes e de planejar fraudar o pleito. No último dia da campanha eleitoral, sábado, a explosão de um carro-bomba matou 47 pessoas, incluindo o homem-bomba, em um escritório de um dos principais partidos da oposição, o PPP.  A ex-premiê Benazir Bhutto foi assassinada em um comício em Rawalpindi, no dia 27 de dezembro. Sua morte levou ao adiamento das eleições, originalmente previstas para janeiro, e o assunto domina o pleito. Vários candidatos querem associar sua imagem à dela. No local onde ela morreu, foi montado um memorial onde são vendidos souvenirs. Alto-falantes repetem de tempos em tempos seus discursos. O lugar atrai vários admiradores da ex-primeira-ministra.  Mahmoud Akhram diz que foi ao comício do dia 27 de dezembro junto com um amigo. Na saída, por ter deixado o local mais cedo, viu de longe quando a bomba explodiu. O amigo teve menos sorte: estava mais próximo de Benazir e foi uma das cerca de 150 pessoas mortas na ocasião. "Consegui recuperar os restos do meu amigo apenas tarde da noite", diz ele.  Mahmoud sorri ao mostrar a marca de tinta no dedo, sinal de que já depositou seu voto. "Votei no PPP por Benazir, claro. Se as eleições não forem roubadas, eles vão ser o novo governo."  A oposição vem repetindo continuamente que o governo deve fraudar o pleito. Na maioria das sessões eleitorais, representantes dos principais partidos fiscalizam o andamento dos trabalhos, atentos para a possibilidade de manipulação. Na quinta-feira, a ONG Human Rights Watch divulgou uma gravação na qual o procurador-geral do Paquistão, Malik Qayyum, supostamente admite que ocorrerá fraude no pleito desta segunda-feira. Qayyum afirma que a gravação, além de falsa, é uma tentativa de desestabilizar o país. A apuração terá inicio imediatamente após o fechamento das urnas, às 17 horas (horário local, 9h de Brasília).  (Com BBC Brasil)

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