EFE/Daniel Irungu
EFE/Daniel Irungu

Em dia de votação para presidente, queniana dá à luz em seção eleitoral

Criança se chamará Chepkura, que significa 'antes de votar' em suaíli; eleição ocorre sob um clima de tensão e temores de violência no país

O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2017 | 12h16

NAIRÓBI - Os quenianos foram às urnas nesta terça-feira, 8, para eleger seu novo presidente. O que os habitantes do Condado de West Pokot, oeste do Quênia, não esperavam é que presenciariam um parto na seção de votação.

Paulina Chemanang começou a sentir as contrações logo que chegou à sua seção eleitoral. Com a ajuda de desconhecidos, teve sua filha na fila de espera para votar, relatou a rádio Capital FM.

Ela foi levada para um ambulatório da vizinhança, e voltou depois para depositar seu voto. "Agora, estou feliz, porque pari e votei", declarou. "Ter dado à luz em uma seção eleitoral é uma bênção para mim, e eu agradeço a Deus." Sua filha se chamará Chepkura, que significa "antes de votar" em suahili.

Cerca de 19,6 milhões de quenianos estão inscritos para votar nestas eleições gerais para presidente, deputado, senador, governador, autoridades locais e representantes das mulheres na Assembleia.

A eleição presidencial se anuncia como muito disputada entre o presidente Uhuru Kenyatta, em busca de um segundo mandato de cinco anos, e seu opositor Raila Odinga, que se candidata pela quarta vez.

Preocupação

A votação no Quênia ocorre sob um clima de tensão e temores de violência. Em razão disso, as autoridades organizaram um dispositivo de segurança sem precedentes, com 180 mil integrantes das forças policiais em todo o território.

A votação no país de 48 milhões de habitantes muitas vezes se baseia em sentimentos de etnia.  Kenyatta (kikuyu) e Odinga (Luo) estabeleceram duas poderosas alianças eleitorais. De acordo com as pesquisas, o resultado da eleição presidencial dependerá da capacidade dos dois campos de mobilizar os eleitores.

Segundo muitos observadores, a credibilidade dos comícios depende da confiabilidade do sistema biométrico de identificação e transmissão eletrônica de resultados. Há quatro anos, parte desse processo apresentou falhas, o que alimentou suspeitas de fraude após a vitória de Kenyatta no primeiro turno.

Odinga garante que foi roubado em 2007 e rejeitou os resultados de 2013 antes mesmo de a Suprema Corte validá-los definitivamente.

Há 10 anos, o anúncio de fraude por parte da oposição arrastou o país para dois meses de conflitos político-étnicos e repressão policial que deixaram ao menos 1,1 mil mortos. O caso foi o pior episódio de violência no país desde a independência, em 1963.

A votação começou às 6 horas (0 hora de Brasília), mas antes do amanhecer já havia gente esperando a abertura das seções. As ruas estavam desertas e a maioria dos estabelecimentos comerciais permanecia fechada em um importante dia para o futuro e a estabilidade do país.

Na segunda-feira à noite, Kenyatta apelou à paz em rede de TV e pediu aos eleitores que aguardassem com calma os resultados, que poderiam começar a ser divulgados ainda nesta terça-feira. / AFP e EFE

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