Em dia violento, coalizão discute futuro pós-Musharraf

Líderes da coalizão que governa o Paquistão se reuniram hoje para discutir quem seria o sucessor de Pervez Musharraf na presidência, um dia após o anúncio de sua renúncia, em um dia marcado pela violência no país. Um atentado nas proximidades de um hospital matou pelo menos 27 pessoas, incluindo dois policiais, e ilustrou as dificuldades que o país terá pela frente. Outras 34 pessoas morreram em confrontos na região tribal de Bajur.O ataque suicida ocorreu em Dera Ismail Khan, no volátil noroeste paquistanês. Além dos 27 mortos, outras 35 pessoas ficaram feridas. Um alto policial da região, Mohsin Shah, afirmou que o motivo foi aparentemente sectário, sendo os xiitas os prováveis alvos. O Taleban reivindicou a responsabilidade pelo atentado.Também hoje, forças de segurança mataram durante um confronto 11 supostos militantes e cinco civis em Bajur. Em outro confronto na mesma área, 13 militantes e cinco paramilitares morreram, segundo um funcionário do governo.Com a renúncia de Musharraf para escapar de um possível processo de impeachment, há um momento de incerteza no país sobre qual será a abordagem do governo para lidar com a violência extremista. Acredita-se que o agora ex-líder Musharraf está em uma residência superprotegida, nas proximidades da capital, Islamabad. O futuro do aliado dos Estados Unidos, havia nove anos no poder, também estava sob discussão no encontro.O ministro da Justiça, Farooq Naek, garantiu que o governo não havia feito um acordo de imunidade com o ex-presidente. Apesar disso, aliados e rivais de Musharraf disseram que ele havia conseguido garantias de que não seria processado nem forçado a se exilar.Musharraf não disse qual seriam seus planos durante o emocionado discurso de renúncia, dizendo apenas que seu futuro estava nas mãos das pessoas. Mas relatos da mídia local sugerem que ele pode deixar o país - Musharraf é odiado por militantes islamitas e bastante impopular entre os paquistaneses comuns."Não deve ser permitido que ele deixe o país", afirmou Sadiqul Farooq, porta-voz do segundo maior partido da coalizão, que já acusou o ex-presidente de traição. "Ele deveria ser julgado por seus crimes." O próximo presidente será eleito pelos parlamentares, em um processo que deve terminar em até 30 dias.

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