Em diário, Bin Laden planejava ataques aos EUA

Terrorista sugeria atentados a pequenas cidades, mas que causassem grande número de vítimas

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Os membros da Al-Qaeda não deveriam alvejar apenas aviões e metrópoles como Nova York e Washington em suas ações terroristas nos EUA, na avaliação de Osama bin Laden. Um diário e arquivos de computador encontrados na casa onde o saudita estava escondido no Paquistão descrevem uma estratégia com objetivo de matar o maior número de americanos em ações terroristas contra trens e cidades como Los Angeles.

As informações foram divulgadas por autoridades americanas à agência Associated Press. Os investigadores americanos, que têm analisado o material coletado na casa em que ele foi morto no Paquistão, afirmam que Bin Laden ainda estava no comando da Al-Qaeda e em contato com a franquia do grupo no Iêmen, considerado o mais poderoso atualmente. A comunicação ocorria por meio de mensageiros.

Apesar de ainda não haver provas, o governo americano não descarta o possível envolvimento de Bin Laden na tentativa de atentado contra um avião em Detroit, no Natal de 2009. A estratégia encaixa-se perfeitamente na recomendação do saudita, de atacar outras cidades americanas. O nigeriano responsável pela ação fracassada diz ter sido treinado no Iêmen, onde recebeu os explosivos.

Em um de seus textos, Bin Laden afirma que ataques pequenos não são suficientes para convencer os americanos a se retirar do mundo árabe. Na avaliação do líder da Al-Qaeda, apenas um atentado da mesma proporção do 11 de Setembro, com milhares de mortos, seria capaz de alterar a política externa americana.

Segundo as autoridades, não havia nenhum ataque próximo de ocorrer. Mas, no fim de semana, o governo dos EUA afirmou ter tomado conhecimento de que a Al-Qaeda planejava atentados contra o sistema ferroviário americano no aniversário do 11 de Setembro. Os documentos também demonstram que Bin Laden planejava interferir em debates políticos americanos por meio de suas ações para tentar causar divisões.

Viagem. Em busca de reduzir a tensão com o Paquistão após a morte de Bin Laden, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA, John Kerry, com o apoio da Casa Branca, viajará na semana que vem a Islamabad para se reunir com autoridades do país.

Kerry, um defensor das relações entre EUA e Paquistão, também atuou em outras frentes no passado, como na mediação com presidente sírio, Bashar Assad. Em fevereiro, o senador esteve no Paquistão para ajudar na libertação do americano suspeito de ser agente da CIA, Raymond Davis, que tinha sido preso por matar dois paquistaneses.

Cotado para ser secretário de Estado caso Obama seja reeleito, Kerry integra um grupo de parlamentares, dos dois partidos, que consideram a morte de Bin Laden uma oportunidade para pensar em encerrar a missão no Afeganistão.

Discurso

Barack Obama deve fazer um novo discurso, na semana que vem, sobre planos de ação para o Oriente Médio e a nova estratégia após a morte de Osama bin Laden, em meio à crise árabe.

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