Reprodução/Twitter/Rita Katz
Reprodução/Twitter/Rita Katz

Em diário revelado pela CIA, Bin Laden mantinha suas 'reflexões'

O diário integra o conjunto de centenas de milhares de documentos, imagens e arquivos recuperados na operação que localizou e matou o líder da Al-Qaeda em seu forte em Abbottabad, Paquistão, em 2011

O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2017 | 17h00

WASHINGTON - O líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, morto há seis anos, mantinha um diário escrito à mão no qual discorria sobre os planos de ataque do grupo, assim como identidades e localizações de pessoas importantes do círculo jihadista. Imagens de todas as 228 páginas do diário foram divulgadas nesta quarta-feira, 1º, pela Agência de Inteligência Americana (CIA). 

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Segundo a agência, o último registro feito pelo líder terrorista é de um dia antes de sua morte, em 2 de maio de 2011. De acordo com a CIA, o diário, todo em árabe, era atualizado pelo líder e contém suas “reflexões privadas sobre o mundo e o papel da Al-Qaeda nele”. 

A agência afirma ainda que algumas páginas contém os pensamentos de Bin Laden sobre a revolta popular no mundo árabe de 2011 conhecida como Primavera Árabe e o desejo do líder terrorista de que seus homens “capitalizassem” o movimento de alguma maneira. “Enquanto a Al-Qaeda não previu as revoltas que varreram o Norte da África e o Oriente Médio, ela se moveu rapidamente para passar a operar em seus países, como a Líbia”, afirma a CIA. 

O diário integra o conjunto de centenas de milhares de documentos, imagens e arquivos recuperados na operação que localizou e matou Bin Laden em seu forte em Abbottabad, Paquistão. O material foi liberado após anos de demanda do Long War Journal, que desde 2011 pede para ter acesso a esse material secreto do mentor dos ataques do 11 de Setembro. 

 

Segundo o Long War Journal, levará tempo até que todo o material seja avaliado pelos especialistas e profissionais de inteligência, mas algumas conclusões já podem ser tiradas. Uma delas é a de que a rede Al-Qaeda fundada por Bin Lade sobreviveu a mais de 16 anos de guerra. O grupo falhou em repetir um ataque ao estilo e  tamanho do que foi o 11 de Setembro dentro dos EUA, apesar da vontade do líder da rede de repetir o feito. Além disso, o grupo sofreu vários revezes com a morte de vários e importantes líderes. 

De acordo com a análise do jornal, a Al-Qaeda se adaptou e, de certa forma, cresceu, espalhando sua marca de insurgência em países onde tinha pouca capacidade operacional em 2001. Os documentos ajudam a explicar como a Al-Qaeda conquistou simpatizantes por toda a África Ocidental e Sul da Ásia, diz a publicação. 

Entre os documentos, há um vídeo do casamento  do filho do líder terrorista quando jovem, Hamza bin Laden, a primeira que se tem notícia. O jornal lembra que desde 2015, a Al-Qaeda tem divulgado mensagens de áudio de Hamza. A Al-Qaeda estaria tentando capitalizar a “marca” Bin Laden, e construindo a imagem de Hamza no círculo jihadista. No entanto, a rede se recusa a divulgar imagens de Hamza, temendo colocar sua segurança em risco. No vídeo, também é possível ver outros importantes nomes da Al-Qaeda, incluindo Mohammed Islmabouli, irmão do assassino do presidente egípcio Anwar Sadat, morto em 1981. 

No total, são cerca de 470 mil arquivos encontrados em Abbottabad. O pacote possui 500 GB e inclui cartas, documentos familiares, vídeos e fotos. Segundo a CIA, foram mantidos em sigilo apenas arquivos protegidos por direitos autorais, capazes de prejudicar a segurança nacional ou que envolvam "pornografia". 

 

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