VINCENZO PINTO / AFP
VINCENZO PINTO / AFP

Em discurso, Obama agradece mediação do papa na retomada da relação com Cuba

Presidente americano elogiou a postura do pontífice em temas como a inclusão de imigrantes e críticas à desigualdade social 

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

23 Setembro 2015 | 10h49

WASHINGTON - O presidente Barack Obama agradeceu ao papa Francisco na manhã desta quarta-feira, 23, por seu papel na reaproximação entre os EUA e Cuba e ressaltou a atuação do pontífice em vários temas nos quais suas posições coincidem: inclusão de imigrantes e refugiados, combate à mudança climática, crítica à desigualdade social e defesa da liberdade religiosa.

Ao receber o papa nos jardins da Casa Branca, Obama elogiou sua autoridade moral e suas qualidades pessoais de humildade, simplicidade, gentileza e generosidade. "Em suas gentis, mas firmes recordações de nossas obrigações com Deus e uns com aos outros, você está nos chacoalhando de nossa complacência", disse Obama em discurso nos jardins da Casa Branca, onde recebeu o papa na manhã desta quarta-feira.

O encontro deu início à agenda da visita de seis dias de Francisco aos EUA, a primeira em seus 78 anos de vida. O papa decidiu visitar Cuba na mesma viagem depois de os dois países terem anunciado, em dezembro, a retomada de suas relações diplomáticas, colocando fim a 53 anos de isolamento. O pontífice atuou nas negociações e enviou cartas a Obama e ao presidente de Cuba, Raúl Castro, pedindo a reconciliação  entre os dois lados.

"Santo Padre, nós somos agradecidos por seu inestimável apoio ao nosso novo começo com o povo cubano, que traz a promessa de novas relações entre nossos países, maior cooperação em nosso hemisfério e uma melhor vida para o povo cubano", declarou Obama.

Cerca de 15.000 pessoas foram convidadas pela Casa Branca para participar da cerimônia de recepção do papa. Milhares de outras se espalharam pelo gramado ao sul da Casa Branca para esperar o cortejo de Francisco no papamóvel, marcado para as 11h da manhã.

Muitas das posições defendidas pelo papa coincidem com prioridades domésticas e internacionais de Obama e isso ficou claro no discurso do presidente. O dirigente americano ressaltou a mensagem do papa de que os desconhecidos sejam recebidos com "empatia e coração aberto -dos refugiados que abandonam terras destroçadas pela guerra ao imigrante que deixa sua casa em busca de uma vida melhor".

A proposta de Obama de uma reforma do sistema de imigração que abra caminho para a cidadania aos 11 milhões de indocumentados que vivem no país foi barrada pelo Congresso dominado pela oposição republicana.

Outra coincidência entre ambos é a defesa de um ambicioso compromisso mundial de combate à mudança climática. Obama espera que iniciativas nessa área integrem seu legado quando deixar a Casa Branca, no início de 2017. O papa tratou do assunto em sua encíclica Laudato Si e deverá abordá-lo no discurso que fará na Organização das Nações Unidas (ONU) na sexta-feira. Os republicanos se opõem a regulações ambientais e sustentam que o aquecimento global não é fruto da ação do homem.

O único ponto do discurso de Obama em relação ao qual existe consenso entre democratas e republicanos é a defesa da liberdade religiosa. "Aqui nos Estados Unidos, nós valorizamos a liberdade religiosa. Mas ao redor do mundo neste exato momento, filhos de Deus, incluindo cristãos, estão sendo atacados e até mortos por causa de sua fé", ressaltou Obama.

Depois do cortejo no papamóvel, o papa terá encontro com 300 bispos americanos. Às 16h15 (17h15 horário de Brasília), ele celebrará missa de canonização do missionário franciscano Junípero Serra, que será o primeiro santo latino dos Estados Unidos. 

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