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Em discurso anual, Obama se dirige a republicanos e defende laço com Cuba

Em seu último grande pronunciamento no Congresso, presidente defendeu conquistas de seus dois mandatos, mencionou aproximação com Havana e Teerã, saudou acordo sobre o clima e reivindicou os créditos pela recuperação da economia

O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2016 | 00h57

WASHINGTON - Em seu último discurso sobre o Estado da União, o presidente americano, Barack Obama, fez um apelo ao Congresso para pôr fim ao embargo a Cuba. Em 2014, Washington e Havana retomaram relações diplomáticas após mais de 50 anos. O presidente também pediu que os americanos “consertem” o sistema político do país, rejeitando a desconfiança partidária.

Em uma mensagem com tom otimista, o democrata fez um balanço de seus sete anos de governo e das principais conquistas. 

“Cinquenta anos de isolamento de Cuba fracassaram na promoção da democracia e nos atrasaram na América Latina. Por isso, restauramos as relações diplomáticas e abrimos as portas do comércio e do turismo e nos posicionamos para melhorar a vida do povo cubano.”, disse Obama. “Vocês (parlamentares) querem consolidar nossa liderança e credibilidade no hemisfério? Reconheçam que a Guerra Fria acabou. Retirem o embargo.” 

Obama também fez um apelo pelo futuro e pediu parceria e diálogo aos republicanos. “O futuro que queremos – oportunidade e segurança para nossas famílias, aumento da qualidade de vida e paz no mundo para nossos filhos – tudo isso está ao nosso alcance”, disse o presidente. “Mas isso só vai acontecer se trabalharmos juntos. E para isso precisamos de debates racionais e construtivos.”

O pedido de união e diálogo de Obama apresentou um contraste implícito com a linguagem de parte do Partido Republicano, especialmente de alguns pré-candidatos da legenda para as eleições de novembro, como o magnata Donald Trump, acusado de preconceito contra imigrantes e muçulmanos. 

Em resposta ao discurso de Obama, o Partido Republicano escalou a governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, para falar à nação. Com um tom bem mais ameno sobre imigração em comparação com colegas de partido como Trump, ela pediu que a população resista à tentação de “seguir as vozes raivosas”. 

“Imigrantes têm vindo para cá há gerações para viver o sonho americano. Durante tempos ansiosos, pode ser tentador seguir as sirenes das vozes raivosas. Precisamos resistir a essa tentação”, afirmou. “Ninguém que quer vir trabalhar duro, obedecer nossas leis e amar nossas tradições deve se sentir rejeitado em nosso país.”

Obama lembrou também da recuperação econômica do país desde a crise de 2008 e da reforma no sistema de saúde, uma das principais apostas de seu governo. “Criamos mais de 14 milhões de empregos e demos assistência médica a mais de 18 milhões de pessoas”, disse. “Juntos, deixamos a crise de ontem para trás e entramos fortalecidos no caminho do amanhã.”

Obama prometeu, ainda, trabalhar para concluir os principais objetivos na recuperação econômica até o fim de seu mandato, em 20 de janeiro de 2017.

Irã. O discurso do presidente foi feito horas depois de o governo do Irã ter prendido dez marinheiros de dois navios no Estreito de Ormuz. A Casa Branca afirmou que o episódio não era grave e os militares seriam rapidamente liberados. Mas uma agência de notícias iraniana informou que eles teriam sido presos por espionagem. 

“Estamos trabalhando para resolver a situação para que todos eles voltem as suas funções”, disse o assessor de Obama para Segurança Nacional Ben Rhodes. “Estamos trabalhando para resolver isso.” / NYT, WP, REUTERS e AFP

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