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Em discurso, Bashar al-Assad admite que Síria precisa de reformas

Presidente sírio faz raro discurso público na televisão estatal para discutir situação crítica do país

10 de janeiro de 2012 | 07h37

DAMASCO - Em um raro discurso público realizado na Universidade de Damasco e transmitido pela televisão estatal, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, falou nesta terça-feira, 10, sobre a situação no país e assegurou que a Liga Árabe não será uma 'liga árabe' caso exclua a participação do país.

 

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O presidente admitiu que o país necessita reformas e assegurou que o governo tenta atualmente encontrar soluções para os problemas. Também disse que os 'sírios devem ser corajosos e não covardes'.

O presidente afirmou que não é possível adotar reformas no país sem conhecer seus problemas a fundo. "É preciso buscar as soluções certas e não tomar decisões à base da pressão", disse.

Assad também garantiu que o governo não emitiu ordens para o exército atirar na população e falou que a violência que assola o país são 'atos isolados de terrorismo e sabotagem'.

O presidente disse, ainda, que o Ocidente não está preocupado com o número de vítimas ou de que forma o governo poderá desenvolver uma reforma e só faz críticas ao país. "As políticas sírias não são desenvolvidas fora e sim internamente", afirmou. 

Ele disse, também, que as acusações de parte da população que dizem que o governo favorece um ambiente sem leis no país são falsas.

O presidente afirmou, ainda, que está criando um comitê que vai se concentrar em combater a corrupção. Além disso, afirmou que não há divisões nacionais e que todos os partidos políticos são bem-vindos. Assegurou, ainda, que prepara uma nova constituição e que o país vai celebrar eleições em maio ou junho. "Queremos que a oposição trabalhe com o governo, e não contra ele", afirmou para uma plateia lotada na universidade, que o aplaudiu em pé. De acordo com o presidente, o governo organizará um referendum para criar a nova constituição em março e os opositores poderão participar do processo eleitoral. 

Assad garantiu que o governo vai iniciar um diálogo com a oposição em julho e que alguns opositores querem estabelecer um 'diálogo em sigilo'.

"Apesar da situação do país, 85% dos professores seguem dando aulas", garantiu Assad. Ele também disse que armas estão sendo introduzidas na Síria, de forma a incitar a violência. "Vamos considerar reformas necessárias e combater o terrorismo", afirmou. Assad também pediu que a população lute pela 'unidade nacional' e pela 'reconciliação'. "Os sírios devem apoiar o exército e a segurança", afirmou, garantindo que não deixará o poder.  

Atualizado às 8h46.

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