Erin Schaff/The New York Times
Erin Schaff/The New York Times

Em discurso, Biden se mantém confiante, mas ainda não declara vitória

Se confirmar a vitória no Estado da Pensilvânia, ele terá mais de 270 votos no colégio eleitoral e será o próximo presidente americano

Beatriz Bulla, enviada especial, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2020 | 01h57

WILMINGTON, EUA - Os Estados Unidos entram no quarto dia de apuração da eleição com Joe Biden mais próximo de derrotar Donald Trump. Na sexta-feira, 6, o democrata passou à frente do presidente na Pensilvânia e, já na madrugada deste sábado, fez um discurso em tom de eleito. “Nós não temos a declaração final ainda, mas os números dizem uma história clara e convincente: nós vamos ganhar essa corrida”, disse Biden, quase às 23h (1h em Brasília).

Se confirmar a vitória no Estado, ele terá mais de 270 votos no colégio eleitoral e será o próximo presidente americano. Biden tem 28 mil votos a mais do que Trump no Estado, mas ainda restam cerca de 100 mil cédulas pendentes e a apuração de 40 mil delas pode levar “alguns dias” para ser concluída, segundo autoridades locais. 

"Essa democracia funciona. Seus votos serão contados. Eu não ligo quão fortemente as pessoas tentem parar. Eu não vou deixar acontecer. Pessoas serão ouvidas”, disse Biden, em meio à ofensiva jurídica da campanha de Trump para suspender contagem de cédulas recebidas pelo correio em Estados cruciais.

Apoiadores de Biden começaram a se reunir no meio da tarde próximo ao centro de convenções onde o democrata poderia fazer o discurso de vitória, inicialmente planejado para 20 horas. Sem a declaração de um vencedor, a campanha discutia ao longo da noite, no entanto, se o pronunciamento seria feito.

Biden entrou no palco às 22h48, minutos depois de autoridades da Pensilvânia divulgarem uma nova leva de votos apurados que, novamente, ampliaram a vantagem do democrata. “Eu não vou esperar para começar o trabalho”, disse ele, que afirmou que ele e Kamala Harris tiveram reuniões sobre a situação da economia e da pandemia de coronavírus nos últimos dias.

“No dia 1 vamos colocar nosso plano para controlar esse vírus. Não podemos recuperar as vidas perdidas, mas podemos salvar outras vidas”, disse Biden, que também prometeu um caminho para “forte recuperação econômica”. “Não temos mais tempo a perder em guerras partidárias", disse. Horas antes, Trump escreveu no Twitter que Biden não deveria reivindicar “erroneamente” a vitória pois a batalha jurídica “está apenas começando”.

Os votos que faltam na Pensilvânia tendem a favorecer o democrata, pois são de Filadélfia, Pittsburgh e arredores, redutos do partido. Com a diferença estreita entre os dois candidatos, os resultados na Pensilvânia ainda não eram suficientes para saber quem venceu no Estado.

Biden tem 253 delegados no colégio eleitoral. Os 20 votos da Pensilvânia encerrariam a disputa. Ganhar a Pensilvânia seria emblemático para os democratas – e especialmente para Biden, que nasceu no Estado. Ontem, eleitores do democrata fizeram uma festa nas ruas da Filadélfia, com música e dança em frente ao centro de convenção onde os votos estão sendo contabilizados. Atos contra a apuração e a favor de Trump também aconteceram no local.

Outros dois Estados devem divulgar resultados nos próximos dias: Arizona Nevada. A Geórgia, onde Biden lidera por 1,5 mil votos, anunciou ontem que a margem pequena provocará uma recontagem após a apuração. Será o segundo Estado a recontar os votos – o outro pode ser o Wisconsin, onde Biden venceu por uma diferença de 30 mil votos e a campanha republicana pede nova apuração./COLABORARAM LUDIMILA HONORATO E MARIANA HALLAL

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