Em discurso, Bush pedirá maior apoio a plano para o Iraque

Diante de um Congresso cético e uma opinião pública desacreditada, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, tentará nesta terça-feira esvaziar a oposição a seu novo plano para o Iraque e reviver seu conturbado governo com propostas para expandir a assistência médica à população e diminuir o consumo de gasolina. Bush fará seu discurso anual ao Congresso no momento em que as pesquisas registram os piores índices de popularidade de seus dois mandatos, e frente à primeira legislatura controlada pela oposição democrata em 12 anos. Além disso, é crescente a oposição popular à guerra do Iraque e à idéia de enviar 21,5 mil soldados a mais para o país árabe. No discurso, Bush estará na desconfortável posição de falar a um Congresso que já prepara uma resolução que expressará desde dúvidas até clara oposição à sua nova estratégia. Escolhido para endereçar, em rede nacional, uma resposta democrata ao discurso do presidente, o senador e veterano da guerra do Vietnã Jim Webb adiantou parte do que pretende expressar. "Eles não têm um plano. O que eles colocaram sobre a mesa é mais um ajuste tático", disse o senador ao adiantar uma prévia de seu discurso.A Casa Branca admitiu que a proposta de Bush enfrentará grandes desafios. "São problemas que tentamos resolver no passado, e que não foram solucionados", disse o conselheiro da Casa Branca Dan Bartlett. "Nós enfrentaremos o processo sem alimentar ilusões."Barlett destacou que Bush irá pedir ao Congresso e ao povo dos EUA que apóiem seu plano para o Iraque, por ser "a melhor forma de ter sucesso". "Ele irá pedir ao congresso uma chance para trabalhar, e apoio às nossas tropas", disse.Além disso, acrescentou a administração, o presidente proporá o estabelecimento de um conselho consultivo especial composto por líderes parlamentares de ambos os partidos para tratar do Iraque e da guerra ao terrorismo. Duas semanas depois de Bush apresentar sua nova estratégia para o Iraque, os democratas e muitos republicanos trabalharam em resoluções parlamentares destinadas a expressar contrariedade com as propostas. Outros assuntosMas Bush deve usar a maior parte dos 50 minutos de discurso para falar de sua agenda doméstica para o ano. Vai apresentar propostas para reduzir o uso de gasolina, ampliar o atendimento médico a mais pessoas, realizar uma reforma da imigração e melhorar a educação. Assessores dizem que ele deve pedir ao Congresso que estabeleça a meta de redução de 20% no uso de gasolina nos próximos 10 anos, por meio de motores mais eficientes e combustíveis alternativos. Uma importante fonte do governo disse ainda que o presidente deve propor que seja dobrada a capacidade da Reserva Estratégica de Petróleo, para 1,5 bilhão de barris, até 2027. Pressionado pelos democratas a adotar políticas mais incisivas contra as mudanças climáticas, Bush acredita que o crescimento projetado nas emissões de carbono de carros e veículos leves de carga pode ser contido dentro de uma década. Sobre a economia, Bush vai renovar seu apelo por um orçamento equilibrado até 2012, e pretende fazer um discurso na próxima semana sobre o tema econômico antes de enviar ao Congresso sua proposta de Orçamento para o ano fiscal de 2008, no dia 5.

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