Em discurso, Cristina ataca a Justiça argentina

Diante de partidários na Praça de Maio, presidente defende a 'democratização do Judiciário' e o 'respeito à vontade popular'

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2012 | 02h01

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, fez um violento ataque à Justiça do país. Em discurso feito ontem para milhares de partidários na Praça de Maio, em Buenos Aires, ela defendeu o que chamou de "democratização do Judiciário" para que seja respeitada "a vontade popular". "Se não respeitam as leis, que democracia é esta? As pessoas querem uma Justiça que respeite o povo", disse a presidente.

As celebrações de ontem, embaladas por shows de rock ontem em Buenos Aires, foram chamadas pelo governo de "Festa patriótica popular". Dezenas de milhares de militantes levados pelos prefeitos da região metropolitana e por organizações sociais subsidiadas pela presidente foram à Praça de Maio para participar da festa, organizada há duas semanas para celebrar a aplicação da Lei de Mídia.

O alvo principal da nova legislação é o Grupo Clarín, considerado "inimigo mortal" pela presidente. No entanto, na quinta-feira, a Câmara Civil e Comercial adiou temporariamente a aplicação total da lei, salvando por enquanto o Grupo Clarín do desmonte. O governo, apesar do revés, manteve o festival e tentou exibir respaldo popular.

Na sexta-feira, a Casa Rosada recorreu à Corte Suprema de Justiça contra a decisão da Câmara Civil. Nesta semana, provavelmente amanhã ou na quarta-feira, os juízes anunciarão se avaliarão ou não o pedido do governo. Ontem, diversos líderes kirchneristas criticaram os juízes que adiaram a aplicação da Lei de Mídia. À noite, a manifestação foi encerrada com um discurso da própria Cristina, transmitido em cadeia nacional. "Precisamos uma Justiça menos corporativa", afirmou a presidente aos gritos no microfone perante mais de 100 mil pessoas diante da Casa Rosada.

O festival de rock, acompanhado da manifestação de militantes, também celebrou com um dia de antecipação o primeiro aniversário da posse do segundo mandato de Cristina. A previsão era a de que a presidente discursaria à noite. Tudo indicava que ela voltaria a criticar o Grupo Clarín, que ela denomina de "monopólio midiático".

Sindicatos. Na contramão da manifestação para respaldar o governo, as alas rebeldes da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA) anunciaram para o dia 19 uma marcha de protesto na Praça de Maio por melhores salários.

Enquanto os sindicatos protestam, o ex-presidente Carlos Menem, atual senador, famoso por sua política neoliberal, reapareceu com enfáticos elogios à presidente Cristina. Segundo Menem, o governo "é um sucesso" e ela realiza um trabalho "similar" ao que ele fez nos anos 90.

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