Em discurso de despedida, líder chinês adota tom conservador

Em pronunciamento ao congresso do PC, Hu frustra expectativas de reformas econômicas e políticas no curto prazo

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2012 | 02h04

Hu Jintao despediu-se do comando do Partido Comunista da China com um discurso conservador, que frustrou as expectativas de substanciais reformas econômicas e políticas no curto prazo. "Foi medíocre", sentenciou Wu Qiang, professor de Ciência Política da Universidade Tsinghua, uma das mais importantes do país, onde o próprio Hu se formou em 1965.

O discurso não foi uma expressão exclusivamente pessoal das posições de Hu, mas refletiu a visão coletiva dos atuais ocupantes de cargos de comando da segunda maior economia do mundo.

"Todo o discurso foi confuso, conservador e cauteloso", ressaltou Wu. Segundo ele, a "atmosfera social" do país mudou no último ano, especialmente depois do escândalo envolvendo Bo Xilai, e havia grande expectativa em relação ao congresso. "O relatório não atendeu ao desejo da população de ver sinais substanciais na direção de reformas", disse Wu ao Estado.

No campo político, Hu se limitou a enfatizar a importância da democracia interna e do sistema de supervisão do Partido Comunista, que reúne 82 milhões de filiados em um país de 1,3 bilhão de habitantes.

"Nós devemos tornar o exercício do poder mais aberto e padronizado e aumentar a transparência do partido, do governo, do Judiciário e de ações oficiais em outras áreas", observou Hu em seu discurso de 1h40, assistido por 2.268 delegados de todo o país.

Wu observou que o dirigente do partido mencionou a palavra "democracia" várias vezes, mas que não havia conteúdo substancial na expressão.

Hu deu ênfase aos mecanismos internos do partido de seleção de seus dirigentes, com destaque à ampliação da disputa entre candidatos aos cargos de direção da entidade. Em nenhum momento ele falou em eleições democráticas ou questionou o monopólio de poder da organização. "Nunca copiaremos um sistema político ocidental", observou.

Na economia, Hu falou da necessidade de reformas, mas ressaltou a importância do papel Estado, cuja influência cresceu durante sua gestão. Segundo ele, a China deve manter o sistema no qual a propriedade estatal é o principal suporte da economia. / C.T. e F.C.

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