Miguel Rajmil/EFE
Miguel Rajmil/EFE

Em discurso hoje na ONU, Dilma deve defender vaga no CS e Estado palestino

Presidente brasileira também irá falar sobre atual crise econômica mundial

LISANDRA PARAGUASSU, ENVIADA ESPECIAL / NOVA YORK , O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2011 | 03h03

Em seu primeiro discurso de abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, a presidente Dilma Rousseff defenderá hoje o reconhecimento do Estado palestino e levantará o tema mais recorrente da política externa brasileira na ONU: a necessidade de uma reforma na governança global, em especial do Conselho de Segurança - o Brasil reivindica a vaga de membro permanente do órgão.

 

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A presidente do Brasil, no entanto, vai pôr ressalvas a essa cobrança: não adianta promover reformas políticas enquanto o desenvolvimento de países mais pobres está em risco com a instabilidade global, especialmente a econômica.

 

Desde domingo, quando chegou a Nova York, Dilma vem trabalhando em seu discurso todos os dias. A instabilidade econômica mundial, que já seria um dos temas centrais, tomou proporções ainda maiores. A presidente pretende ressaltar a preocupação com os efeitos que os problemas econômicos de EUA e Europa podem causar no restante do mundo, especialmente nas nações em desenvolvimento.

O discurso enfatizará o risco de países que finalmente conseguiram iniciar uma progressiva redução da pobreza verem seus projetos de desenvolvimento atrasados ou mesmo condenados ao retrocesso.

Ainda assim, Dilma pretende deixar claro que essa não é a hora de apontar para culpados ou fazer cobranças, mas de trabalhar em conjunto.

Apesar do centro econômico de seu discurso, a presidente não deixará de lado o tema principal da Assembleia-Geral: o reconhecimento de um Estado palestino pela ONU. Dilma dirá que passou da hora de os palestinos terem direito a seu próprio território e afirmará que o Brasil será sempre um de seus defensores, ainda que levando em conta a necessidade de garantir fronteiras seguras para Israel.

Outro país considerado injustiçado pelo governo brasileiro, Cuba, também entrará no discurso. Como seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010, Dilma pedirá o fim do embargo econômico americano que prejudica o desenvolvimento dos cubanos.

Ontem, a presidente teve os dois primeiros encontros bilaterais de sua agenda em Nova York, com os presidente dos EUA, Barack Obama, e do México, Felipe Calderón. Apesar de a questão palestina estar na ordem do dia, Dilma e Obama não tocaram no assunto. Para o Itamaraty, a posição brasileira é conhecida pelos americanos e não haveria sentido tentar mudá-la.

A cooperação e a crise econômica foram os assuntos que dominaram a conversa de cerca de meia hora entre Obama e Dilma. Ela elogiou o pacote para aumentar o número de empregos preparado pelo governo americano.

A conversa tratou também dos problemas de países como Grécia, Portugal e Espanha, assuntos que deverão voltar durante a reunião do Grupo dos 20 em Cannes, na França, no fim do ano. De acordo com o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, Obama convidou Dilma para visitar os Estados Unidos no ano que vem.

Comércio. Com Calderón, em uma conversa mais longa, o assunto principal foi a possibilidade de um acordo comercial com o México. Parado desde 2002, o tema voltou à tona e uma missão comercial mexicana pode visitar o Brasil.

"Há interesse dos mexicanos em aproximar as classes empresariais dos dois países. É o desejo de ambos de intensificarem relação econômica, comercial e política também de construir uma relação verdadeiramente estratégica", disse brasileiro, Antonio de Aguiar Patriota.

"Achamos muito positiva essa possibilidade porque ajuda a retirar as desconfianças entre os empresários dos dois países. Os mexicanos temem um pouco a competitividade da agricultura brasileira", afirmou o chanceler.

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