Michael M. Santiago/Getty Images/AFP
Michael M. Santiago/Getty Images/AFP

Obama entra na campanha por Biden e faz seu ataque mais duro contra Trump

Ex-presidente americano estreia na disputa afirmando que a democracia não funciona com líderes que ‘mentem’ todos os dias e dizendo que rival republicano foi incapaz de levar a sério o papel de presidente

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2020 | 19h25
Atualizado 22 de outubro de 2020 | 08h47

FILADÉLFIA, EUA - O ex-presidente Barack Obama deixou nesta quarta-feira, 21, a discrição que vinha mantendo e entrou na campanha presidencial americana com um comício realizado em um drive-in da Filadélfia, no Estado da Pensilvânia, um dos mais importantes na eleição. Foi um dos mais duros ataques de Obama ao presidente Donald Trump, acusado de não levar a sério o papel de presidente.

“Isto não é um reality show. É a realidade”, disse Obama. “Eu nunca pensei que Donald Trump fosse abraçar minha visão de mundo ou continuasse minhas políticas. Mas eu esperava, pelo bem do país, que ele pudesse mostrar algum interesse e levar o trabalho a sério. Mas nada disso aconteceu. Até agora, ele não mostrou interesse em ajudar ninguém além de si mesmo e de seus amigos.”

O discurso de Obama foi um raro ataque direto a Trump, questionando desde a política fiscal do governo até a resposta do presidente à pandemia de coronavírus. Em alguns momentos, o ex-presidente lançou farpas pessoais, sugerindo que os discursos e eventos de campanha do presidente republicano apresentam uma queda constante de audiência – um tema que afeta os nervos de Trump.

Obama é uma das armas mais poderosas da campanha democrata. O ex-presidente deixou o cargo em 2016 com um alto índice de popularidade, especialmente entre os negros – e o discurso desta quarta foi planejado especificamente para aumentar o apoio a Biden entre esses eleitores. 

A campanha democrata também não escondeu a importância de ter realizado o evento na Filadélfia, maior cidade da Pensilvânia e a oitava região metropolitana dos EUA, com 7 milhões de habitantes – 44% negros. O Estado tem 20 votos no colégio eleitoral e está sendo considerado por estrategistas dos dois partidos como o mais importante da eleição. 

Em 2016, Trump foi o primeiro republicano a vencer na Pensilvânia desde 1988, quando George Bush pai derrotou o democrata Michael Dukakis. No entanto, a vantagem sobre Hillary Clinton foi de apenas 44 mil votos (0,72 ponto porcentual). 

Demograficamente, o Estado se parece muito com Wisconsin e Michigan, no Meio-Oeste, vencidos por Trump de maneira apertada – 0,77 ponto, em Wisconsin, e 0,23 ponto, em Michigan. Por isso, republicanos e democratas acreditam que os três Estados se movam na mesma direção. 

Pesquisas mostram que Biden está à frente em Michigan (8 pontos porcentuais), Wisconsin (6,3 pontos) e Pensilvânia (6,3 pontos), segundo o portal Five Thirty Eight, que agrega dezenas de sondagens. Se quiser manter suas chances de reeleição, Trump precisa vencer pelo menos um desses três Estados. 

Faltando 13 dias para a eleição – apesar de mais de 40 milhões de americanos já terem votado antecipadamente –, a reta final da disputa coincide com uma alta nas infecções pelo coronavírus em quase todos os Estados. Nesta quarta, Obama não deixou o tema passar em branco. “Mais de 220 mil americanos morreram. Perdemos milhões de empregos e a nossa orgulhosa reputação mundial está em farrapos”, afirmou.

À medida que o ex-presidente falava, em vez de aplausos, era possível ouvir o barulho das buzinas dos carros – o discurso foi transmitido pelo rádio. “Presidentes que buscam a reeleição geralmente perguntam se o país está melhor do que estava havia quatro anos”, disse Obama. “Vou lhes dizer uma coisa. Quatro anos atrás, vocês estariam todos aglomerados aqui na frente, em vez de assistir a um discurso dentro de seus carros.” / REUTERS, NYT e WP

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