Adrees Latif/Reuters
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Em discurso, Romney aponta decepção e divisão após 4 anos da gestão Obama

Candidato pintou panorama sombrio da situação nos EUA quatro anos depois da eleição do atual presidente

Denise Chrispim Marin, enviada especial a Tampa,

30 de agosto de 2012 | 21h14

Atualizado às 2h55

 

TAMPA - Ainda sem uma clara identidade política em seu próprio partido, o empresário mórmon e ex-governador Mitt Romney aceitou no fim da noite desta quinta-feira, 30, oficialmente, a candidatura republicana à Casa Branca. Apresentado pelo ator, diretor de cinema e republicano convicto Clint Eastwood, Romney tentou expor ao eleitor americano, no horário nobre da TV, uma face mais "humana".

 

O ex-governador de Massachusetts Mitt Romney se tornou oficialmente o candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos com a promessa de usar sua bem-sucedida experiência no mundo dos negócios para criar empregos, principal preocupação de seus compatriotas. Os EUA precisam de "empregos, um montão de empregos", disse Romney no discurso de encerramento da Convenção Nacional Republicana, na qual finalmente alcançou o objetivo de ser nomeado candidato à Presidência, o que perseguia há anos.

 

Romney desafia o presidente dos EUA, Barack Obama, com o seu perfil múltiplo de pai de família, líder religioso, político e empresário de sucesso. "Com humildade e profundamente comovido com a confiança depositada em mim, aceito a nomeação como candidato à Presidência dos EUA.", disse Romney diante de milhares de delegados, no último dia da Convenção Nacional Republicana em Tampa, na Flórida.

 

Ele começou seu discurso com referências aos EUA como uma "nação de imigrantes" que vieram em busca de liberdade de religião, de expressão e de oportunidade para construir suas vidas "ou começar um negócio com suas próprias mãos". O candidato pintou um panorama sombrio da situação nos EUA quatro anos depois da eleição de Barack Obama, período em que, segundo sua opinião, "a maioria dos americanos passou a ter dúvidas", pela primeira vez, sobre o futuro de seus filhos.

 

O republicano mencionou, embora não tenha dado maiores detalhes, os cinco elementos do plano com o qual pretende criar 12 milhões de postos de trabalho se vencer as eleições de 6 de novembro. O ex-governador de Massachusetts se baseará, disse, na independência energética até 2020, na reforma da educação, na promoção do comércio, no apoio ao empresariado para assegurar "que seus investimentos nos EUA não desapareçam, como na Grécia", e na defesa dos pequenos negócios.

 

Mitt lembrou que há quatro anos os americanos sentiram "um entusiasmo renovado pelas possibilidades que oferecia" Obama, e mantiveram seu "otimismo" no futuro. Essa esperança, enfatizou Romney, era compartilhada por cada família que buscava uma melhoria, cada pequeno comércio que tentava prosperar e cada graduado universitário à procura de trabalho.

 

"Desejaria que o presidente Obama tivesse obtido êxito, porque quero que os EUA tenham êxito, mas suas promessas deram lugar a decepção e divisão.", avaliou.

 

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Apesar do clima festivo, a preocupação maior da cúpula do partido era evitar a associação de Romney a uma caricatura. Segundo seu principal conselheiro da campanha, Russ Schriefer, cada tópico da cerimônia foi calculado para mostrar ao eleitor que a experiência de Romney em diferentes esferas fez dele "o único" americano qualificado para enfrentar os atuais desafios do país.

 

O discurso foi escrito pelo comitê de campanha, com passagens incluídas pelo próprio Romney. Além de cativar a atenção do eleitorado republicano e de ser capaz de atrair o voto dos independentes, a itenção foi aparentar ser o líder de sua própria chapa, compartilhada com o candidato a vice-presidente, Raul Ryan. Em discurso na quarta-feira, o deputado federal Ryan arrancou manifestações de entusiasmo do público ao prometer criar 12 milhões de postos de trabalho, pregar o equilíbrio nas contas públicas e zombar de Obama.

 

Parte da emoção e da carga dramática já estava estimulada no público, segundo Schriefer, pelos vídeos sobre a vida de Romney expostos nos dia anterior da convenção, pelos depoimentos apresentados no palco e, especialmente, pelo discurso da nova favorita das donas de casa republicanas, Ann Romney. Mulher do candidato há 43 anos, Ann foi aplaudida com entusiasmo ao afirmar que seu marido ainda a apaixonava e a fazia gargalhar como nos tempos de namoro.

 

"Mitt não gosta de falar sobre como ele ajuda as pessoas, porque ele vê isso como um privilégio, não como um tema de interesse político", completou ela, ao valer-se politicamente da confissão. O senador Marco Rubio não foi escolhido como companheiro de chapa do candidato republicano, mas é tido como principal aliado para conquistar o eleitor de origem latina da Flórida. (Com EFE)

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