Joe Raedle/Getty Images/AFP
Joe Raedle/Getty Images/AFP

Trump dá ultimato a militares venezuelanos que derem apoio a Maduro: 'Não haverá saída fácil'

Presidente dos EUA pede para militares não impedirem entrada de ajuda humanitária

Beatriz Bulla, Correspondente/Washington, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2019 | 15h30
Atualizado 19 de fevereiro de 2019 | 10h59

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um ultimato em discurso nesta segunda-feira, 18, aos militares venezuelanos que dão sustentação ao governo de Nicolás Maduro. Os EUA, assim como cerca de 50 outros países, reconheceram o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como presidente interino. 

Em discurso na Flórida, Trump ameaçou fechar o cerco contra os militares que bloquearem a entrada de ajuda humanitária na Venezuela. “Nós sabemos quem eles são e sabemos onde guardam os milhares de dólares que roubaram. Há membros militares da Venezuela apoiando essa ditadura”, disse Trump, assegurando que os militares que continuarem a apoiar Maduro estarão arriscando suas vidas e seu futuro.

“Hoje tenho uma mensagem a todo oficial que ajuda a manter Maduro: os olhos de todo o mundo estão voltados a vocês hoje e todos os dias no futuro. Vocês podem escolher aceitar a anistia de presidente Guaidó; ele não procura revanche contra vocês e nem nós, mas vocês não poderão bloquear a entrada de ajuda humanitária”, disse Trump

Ao falar sobre militares que escolherem dificultar a chegada de alimentos e medicamentos doados pela comunidade internacional, Trump afirmou: “Se vocês escolherem esse caminho, não terão saída fácil. Vocês perderão tudo”.

Guaidó tem anunciado que as doações ao povo venezuelano chegarão à população do país no dia 23, próximo sábado. O prazo é um deadline para a entrada de alimentos e medicação pelas fronteiras da Colômbia e do Brasil. O regime de Maduro chegou a bloquear uma das pontes de acesso pela Colômbia, inicialmente. Maduro acusa os EUA de tramarem um golpe de estado por meio da entrada de ajuda humanitária e convocou os militares a deixarem a fronteira com a Colômbia inviolável. 

O senador republicano Marco Rubio, considerado o arquiteto do movimento dos EUA para reconhecer Guaidó, esteve em Cúcuta, na Colômbia, no domingo. Em uma entrevista, ele declarou que no próximo dia 23 algumas pessoas do regime “precisarão tomar uma decisão de vida”. “Ou ficam com o ditador, cujos dias estão contados, e negam comida e medicamentos ao seu povo. Ou é a hora de dizer: 'Isso é o mais longe que iremos'”, afirmou Rubio.

Apesar de as autoridades americanas e da região, como diplomatas da Colômbia e do Brasil, descartarem uma ação militar, Trump fez questão de frisar novamente que todas as opções estão na mesa. “Nós buscamos uma transição pacífica de poder, mas todas as opções estão ativas”, afirmou o americano nesta segunda.

Ao falar de Maduro, Trump o acusou de estar respaldado por Cuba e disse que o venezuelano prefere ver o povo faminto a deixar a ajuda humanitária entrar no país. “Maduro não é um patriota venezuelano, ele é uma marionete cubana. Isso é o que ele é”, disse o americano.

Conforme revelou reportagem publicada pelo Estado, líderes da oposição venezuelana já consideram um plano B que inclua autoridades chavistas e militares na transição de governo. Isso se deve ao fato de a pressão pela entrada de ajuda humanitária e a oferta de anistia terem provocado poucas deserções na cúpula das Forças Armadas. Até agora, a maioria dos militares continua a apoiar o regime de Maduro. O discurso de Trump é mais um passo na tentativa de pressionar os militares do país.

“Hoje eu peço a todos os membros do regime de Maduro: acabem com esse pesadelo de fome e mortes. Agora é o momento para todos os venezuelanos agirem juntos como um povo unido. Nada pode ser melhor ao futuro da Venezuela e nada pode ser melhor ao futuro de outra nação, Cuba, quanto o renascimento da democracia e liberdade na Venezuela”, disse o presidente dos Estados Unidos. 

Logo após o discurso, Trump usou sua conta no Twitter para, novamente, fazer manifestações em defesa da transição de governo na Venezuela. “Estamos aqui para proclamar que um novo dia está chegando na América Latina. Na Venezuela e em todo o Hemisfério Ocidental o socialismo está morrendo – e a liberdade, prosperidade e democracia estão renascendo”, escreveu.

Ao atacar o socialismo, Trump também volta o seu discurso para o público interno. O presidente americano tem identificado em seus pronunciamentos os democratas, partido da oposição, como socialistas. No discurso desta segunda-feira, após fazer críticas aos regimes da Venezuela, Cuba e Nicarágua, Trump afirmou “a América nunca será um país socialista”. “O socialismo promete prosperidade, mas entrega pobreza. Promete unidade, mas entrega divisão. Promete um futuro melhor, mas sempre leva de volta aos mais sombrios capítulos do passado”, disse o americano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.