Presidência do Peru/EFE
Presidência do Peru/EFE

Em documentário de Oliver Stone, Putin diz planejar 'medidas defensivas' contra expansão da Otan 

O líder está aumentando acentuadamente a retórica contra a Aliança do Ocidente, ainda que o presidente eleito americano Donald Trump tenha sinalizado para uma aproximação maior com o Kremlin 

O Estado de S. Paulo

21 de novembro de 2016 | 18h37

MOSCOU - O presidente russo, Vladimir Putin, alertou que as forças russas poderiam atacar alvos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se o país se sentir ameaçado. O líder está aumentando acentuadamente a retórica contra a Aliança do Ocidente, ainda que o presidente eleito americano Donald Trump tenha sinalizado para uma aproximação maior com o Kremlin. 

"Nós devemos tomar medidas defensivas, que é atacar com nosso sistema de mísseis os alvos que, em nossa opinião, começarem a nos ameaçar", disse Putin em uma entrevista ao cineasta americano Oliver Stone para o documentário Ukraine on Fire

O documentário - sobre o conflito na Ucrânia entre separatistas pró-Moscou e o governo aliado ao Ocidente - estreou na televisão russa após transcrições da entrevista de Putin circularem entre a mídia oficial russa. 

Os comentários de Putin estão entre os mais afiados contra a Otan e são dados enquanto a Aliança volta cada vez mais volta seu foco para as ameaças vindas da Rússia. 

Mais cedo, na segunda-feira, a Rússia anunciou que reforçou seu sistema de  mísseis defensivos no enclave de Kaliningrado, no Leste Europeu. 

Por anos, o Kremlin tem manifestado preocupação sobre a adesão à Otan de ex-repúblicas soviéticas e países do antigo Bloco do Leste. Putin diz que para os países menores da Otan "é quase impossível resistir à pressão dos maiores líderes da Aliança como os EUA" querendo instalar neles sistemas de mísseis ou abrigar novas bases militares. 

"E o que nós supostamente devemos fazer? Nós somos forçados a tomar medidas defensivas, que são posicionar nossos sistema de mísseis nesses pontos que achamos que representam uma ameaça para nós", disse Putin. "A situação está esquentando." 

A Otan, enquanto isso, tem movido para fortalecer sua presença ao longo de seus postos ocidentais, incluindo países do Báltico. Mas uma importante carta foi colocada no jogo com a vitória de Trump nos EUA, que sugere que sua administração tentará melhorar as relações com a Rússia. 

"Por que nós estamos reagindo à expansão da Otan tão emocionalmente? Nos preocupamos com as tomadas de decisão da

Otan", disse Putin na entrevista a Stone. 

Horas antes da transmissão do documentário, a Rússia afirmou ter movido seus mísseis de defesa para Kaliningrado, o enclave entre a Lituânia e a Polônia. Em outubro, Putin estacionou mísseis de cruzeiro com campacidade nuclear para o mesmo local, armando ainda mais uma região já carregada de armas de ambos os lados. 

Essa crescente diplomacia arriscada também se estende contra possíveis ciberataques. O subsecretário de Estado da Finlândia, Jori Arvonen, afirmou a repórteres na segunda-feira que um centro conjunto entre Otan e União Europeia foi criado em Helsinki sobre estudos "híbridos" de guerra, incluindo ciberespionagem e propaganda via mídia social. 

Arvonen disse que o centro procura combater incursões online que possam ser "diplomáticas, militares, tecnológicas ou financeiras em sua natureza". 

Fontes da Inteligência americana suspeitam do envolvimento do alto escalão russo na invasão de e-mails da campanha da democrata Hillary Clinton à Casa Branca.  

Putin tem expressado otimismo de que a eleição de Trump, que tem questionado o compromisso dos EUA com aliados da Otan, talvez possa melhorar as relações entre os dois países, em seu nível mais baixo desde a Guerra Fria. 

No domingo, Putin afirmou a repórteres em Lima, Peru, que "o presidente eleito americano confirmou sua intenção de normalizar as relações entre Rússia-EUA". 

Putin também se encontrou, provavelmente pela última vez, com o presidente Barack Obama, com quem o relacionamento  regrediu desde a anexação por Moscou da Crimeia, durante o conflito da Ucrânia, e dos ataques e bombardeios russos na Síria em apoio ao presidente Bashar Assad. 

"Nós dois sempre nos tratamos com respeito mútuo em nossas posições, ainda que o diálogo entre os dois países tenha sido  complicado e às vezes difícil, disse Putin a repórters. "Eu agradeço a ele pelos anos de trabalho conjunto e disse que ficaria feliz de vê-lo na Rússia a qualquer momento que ele achar necessário ou tenha vontade." / W. POST 

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