EFE
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Em duas semanas, combates em Alepo mataram 327 civis

Regime sírio intensificou bombardeio contra as áreas controladas por rebeldes no norte do país para reconquistar a totalidade da segunda maior cidade

O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2016 | 16h32

O regime sírio e seu aliado russo intensificaram os bombardeios nas zonas controladas pelos rebeldes e extremistas em Alepo e outras regiões do norte do país, matando nas últimas 24 horas cerca de 70 civis. Alepo, ponto estratégico no desenvolvimento da guerra que devasta a Síria há cinco anos, está desde 2012 dividida entre os rebeldes, que ocupam os bairros orientais da cidade, e o regime, presente nos ocidentais.

Nas últimas duas semanas, os combates deixaram 327 civis mortos, um terço deles mulheres e criançasa, segundo a ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH). Desse total, 233 civis foram mortos em Alepo - 102 em áreas controladas pela oposição e o restante em áreas sob o poder do governo. 

Os combates concentram-se agora no sul e no sudeste de Alepo, mas os dois grupos convocaram milhares de combatentes de reforço para a grande batalha que se aproxima pela conquista da totalidade da cidade, a segunda em importância da Síria.

As tropas sírias, apoiadas por combatentes iranianos, iraquianos e do Hezbollah libanês, enfrentam o Exército da Conquista, uma aliança entre rebeldes e extremistas da frente Fateh al-Sham (ex-Frente al-Nusra, agora separada da Al-Qaeda).

Os combatentes pró-regime estão em dificuldades após o revés sofrido no sudeste da cidade: no dia 6, os rebeldes tomaram o bairro governamental de Ramusa, o que lhes permitiu romper o cerco imposto pelo poder nos setores rebeldes.

Nas últimas 24 horas, os bairros rebeldes sofreram intensos bombardeios aéreos, disse neste domingo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, acrescentando que o regime e seu aliado russo também atacaram a província vizinha de Idlib, nas mãos do Exército da Conquista desde 2015.

Ao menos 45 civis morreram nos bombardeios em Alepo e 22 em Idlib, disse o OSDH, enquanto 9 civis foram mortos por disparos de rebeldes no oeste de Alepo, controlado pelas forças de Damasco.

"A intensificação dos bombardeios em Idlib é explicada pelo fato de que esta província é a reserva humana de combatentes do Exército da Conquista", explicou Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH. Por outro lado, "o regime e seus aliados estão sob pressão em Alepo após a grande derrota sofrida no sudeste da cidade", acrescentou.

Segundo um correspondente da AFP, os bombardeios sobre o bairro de Ramusa continuavam sem trégua. Já o grupo Estado Islâmico (EI), que ainda controla grandes territórios do país, perdeu espaço com sua expulsão da cidade de Manbij, reconquistada por uma aliança árabe-curda com apoio da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

Em Deir ez-Zor, também controlada pelo EI, a Rússia lançou novos bombardeios que destruíram seis depósitos de armas, dois quarteis-generais e vários veículos dos extremistas, matando um número indeterminado de combatentes, segundo o ministério da Defesa russo.

Em uma nota mais positiva, uma menina síria de 10 anos ferida por um franco-atirador em Madaya, cidade rebelde a sudoeste de Damasco cercada pelo regime, foi levada a um hospital da capital após o apelo feito por uma parente, ao qual a Anistia Internacional se somou. Ghina Qouwayder foi levada junto a sua mãe a Damasco para ser operada, segundo o OSDH e uma autoridade síria. / AFP  e NYT

 

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