Andrew Medichini/AP
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Em encontro com o papa, ONU pede pressão sobre rebeldes

Paulo Sérgio Pinheiro, da Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria, pede ajuda de Francisco em esforço diplomático

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2014 | 19h07


GENEBRA - Presidente da Comissão Internacional de Inquérito sobre a Síria na Organização das Nações Unidas (ONU), o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro fez um apelo nesta quarta-feira, 17, para que o papa Francisco continue a pressionar por uma saída política na crise no Oriente Médio e contra o avanço dos militantes islâmicos. O apelo vem no momento em que o Iraque alerta sobre os planos dos jihadistas para assassinar o papa.

Pinheiro se reuniu por alguns instantes com Francisco e, depois, manteve um encontro mais demorado com membros da diplomacia do Vaticano. A Santa Sé recebeu do brasileiro o resultado das investigações sobre os crimes na Síria.

O documento traz provas de crimes de guerra e contra a humanidade cometidos tanto pelo governo de Bashar Assad quanto pelos insurgentes do Estado Islâmico (EI). Mas a ONU também alerta que não será armando os atores no conflito que a guerra vai terminar, posição compartilhada pelo Vaticano. “Eu disse ao papa que tudo o que ele puder fazer pela paz será fundamental”, disse Pinheiro ao Estado. Francisco respondeu positivamente e admitiu que a conjuntura era “muito difícil”.

O envolvimento político do papa, porém, já o teria colocado na linha de fogo do conflito. O embaixador do Iraque no Vaticano, Habib al-Sadr, alertou que existem ameaças contra o sumo pontífice. “O Estado Islâmico já deixou claro: eles querem matar o papa”, disse Sadr à imprensa italiana.

A estimativa do diplomata é que esse ataque poderia ocorrer em uma eventual viagem do pontífice. Ele tem programada uma visita à Albânia, de maioria sunita. Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, deixou claro que o papa não vai mudar a programação ou o itinerário da viagem.

Israel e palestinos. O papa também recebeu nesta quarta uma delegação de líderes judeus liderada por Jack Terpins, presidente do Congresso Judaico Latino-Americano, e Ronald Lauder, presidente do Congresso Judaico Mundial.

Francisco agradeceu os esforços das organizações para alcançar a paz, mas mostrou preocupação com o futuro dos cristãos no Oriente Médio, onde são perseguidos e assassinados em vários países da região. Terpins ressaltou o trabalho do papa Francisco para aproximar israelenses e palestinos.

Na visita, o papa enviou uma mensagem para o Ano Novo judaico de 5775, que se inicia no dia 24 e retransmiti-la às comunidades judaicas.

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