Em encontro histórico, Seul admite diferenças entre Coréias

Líderes dos dois países apresentam na quinta-feira declaração conjunta sobre conversas em Pyongyang

Agências internacionais,

03 de outubro de 2007 | 14h13

O presidente sul-coreano, Roh Moo-hyun, mostrou-se satisfeito em relação as conversas com o líder norte-coreano, Kim Jong Il, criando estruturas para que os dois países, em guerra há pelo menos meio século, apresentem uma declaração conjunta ao término da histórica cúpula de Pyongyang, nesta quinta-feira.   Veja também:  Os 62 anos de relações entre as Coréias  Líderes fazem declaração conjunta na quinta  Coréia do Norte desativa reator nuclear até dezembro   Ainda não há detalhes sobre o conteúdo da declaração. Porém, nesta quarta-feira, Roh disse que as conversas com Kim foram "leais e francas", mas que os dois líderes têm algumas diferenças. "Em alguns assuntos, nós não concordamos", afirmou o presidente sul-coreano.   Mais cedo, Kim propôs que o encontro entre os líderes das duas Coréias fosse extendido por mais um dia, mas retirou a oferta posteriormente, alegando que os dois governos já tiveram discussões suficientes dos dois lados. Ainda não está claro se Roh rejeitou a oferta do norte-coreano ou se Kim retirou sua proposta primeiro.   No início da reunião, Roh disse a Kim que estava preocupado com as enchentes no norte do país, que neste ano deixaram cerca de 600 mortos ou desaparecidos e dezenas de milhares de pessoas desabrigadas. Antes do encontro, Roh deu a seu colega vários presentes, dentre eles vários DVDs com novelas populares em seu país.   Impasses diplomáticos   Pela primeira vez desde 2000, os líderes das duas Coréias se reuniram para acabar com "o muro de desconfiança" que existe entre o último regime stalinista e uma das economias mais avançadas do mundo, mas está claro que as divergências persistem.   Roh e Kim realizaram dois encontros de mais de duas horas cada um para falar de cooperação econômica, desnuclearização da Coréia do Norte e reconciliação na península, segundo o presidente sul-coreano.   Sem dar detalhes, Roh admitiu que Pyongyang "não está muito contente" com o ritmo que Seul quer dar às conversas multilaterais para a desnuclearização norte-coreana, da qual também participam China, Estados Unidos, Japão e Rússia.   Nesta quarta, a Coréia do Norte aceitou desativar seu reator nuclear de Yongbyon e outras instalações nucleares até o final deste ano, para em troca receber 1 milhão de toneladas de combustível e a perspectiva de sair da lista de países apontados pelos EUA como patrocinadores do terrorismo.   A declaração que os presidentes farão na quinta deve incluir alguma referência à necessidade da paz definitiva para as Coréias, divididas no fim da Guerra da Coréia, em 1953, sem assinar um acordo de paz, o que tecnicamente as mantém em guerra.   A Coréia do Sul quer ainda impulsionar a cooperação econômica ao longo da fronteira com parques industriais semelhantes ao de Kaesong, onde trabalhadores norte-coreanos operam em empresas financiadas por empresas sul-coreanas.   Mas Roh, cujo mandato termina em menos de três meses, espera obter uma declaração mais ampla com medidas concretas que o transformem no grande impulsor da paz.

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