Presidência da Colômbia/ Efrain Herrera/AP
Presidência da Colômbia/ Efrain Herrera/AP

Em encontro, Santos e Uribe dizem estar dispostos a buscar um fim para o conflito

Santos já foi do governo de Uribe, mas os dois não se encontravam desde 2010; o governo tem dito que cabe aos rebeldes a decisão de reabrir as negociações

O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2016 | 21h16

BOGOTÁ - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e Álvaro Uribe, seu opositor, se encontraram nesta quarta-feira, 5, numa tentativa de resolver as diferenças relacionadas ao acordo de paz com os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que foi rejeitado numa votação surpreendente nesta semana, deixando o país num limbo.

Os dois disseram estar dispostos a buscar um fim para a guerra de 52 anos que matou mais de 220 mil pessoas e expulsou milhões das suas casas.

O surpreendente resultado do referendo do domingo, que deixou confusos os institutos de pesquisa e foi um desastre político para Santos, resultou em incertezas sobre o futuro das Farc, que deveriam entregar as armas quando o acordo fosse aprovado pelos eleitores.

Depois de mais de três horas de conversa, o ex-presidente Uribe enfatizou a necessidade de “ajustes e propostas para buscar um novo acordo de paz que inclua todos os colombianos”. Sem dar nenhuma proposta concreta, Uribe, de 64 anos, disse que Santos havia se mostrado disposto a mudanças.

Uribe, ex-advogado e criador de gado, se opôs às negociações de paz de Santos desde o início e afirmou que o acordo final, alcançado em agosto depois de quatro anos de negociações em Havana, fez muitas concessões aos rebeldes.

Ele liderou a campanha pelo “não”, pedindo que os colombianos rejeitassem o acordo que daria às Farc assentos no Parlamento e imunidade. O “não” ganhou por menos de meio ponto porcentual.

“Nós identificamos que muitas das preocupações deles vêm de pontos que precisam de esclarecimentos e precisão. Hoje, começamos a trabalhar com eles para detalhar esses pontos e resolver as dúvidas”, disse Santos em comunicado.

O futuro do acordo parece depender da disposição das Farc de aceitar condições mais duras para a desmobilização, combinada talvez com uma suavização das exigências de Uribe.

Santos já foi do governo de Uribe, mas os dois não se encontravam desde 2010. O governo tem dito que cabe aos rebeldes a decisão de reabrir as negociações.

Negociadores do governo estão em Havana para conversar com comandantes da guerrilha, que têm dito que vão permanecer “fiéis” ao acordo. / REUTERS 

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