Em entrevista à TV síria, Kadafi nega ter fugido ao Níger

Líder deposto afirma que seus aliados estão prontos para derrotar as forças da Otan e dos rebeldes

BBC Brasil, BBC

08 Setembro 2011 | 05h36

O líder deposto da Líbia, Muamar Kadafi, negou que tenha fugido para o Níger e classificou os rumores de que ele teria cruzado a fronteira entre os dois países como mentiras e "guerra psicológica".

 

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Os comentários, em uma entrevista telefônica à TV síria, teriam sido feitos de uma localidade não determinada dentro do território líbio.

Kadafi também afirmou que seus aliados derrotarão as forças da Otan e do Conselho Nacional de Transição (CNT).

"Os jovens estão agora prontos para aumentar a resistência contra os 'ratos' em Trípoli e acabar com os mercenários", afirmou.

Refúgio

Anteriormente, as autoridades do Níger haviam afirmado que estavam analisando como lidar com Kadafi se ele tentasse entrar no país em busca de refúgio.

O ministro das Relações Exteriores do Níger, Mohamed Bazoum, afirmou à BBC que seu governo decidiria posteriormente se aceitaria abrigar Kadafi ou se o entregaria ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

Segundo o ministro, "cerca de 20" integrantes do antigo regime líbio conseguiram se refugiar na capital nigerina, Niamei, estão "sob controle" do governo local e serão tratados de acordo com leis internacionais de refúgio. Também terão a liberdade de ir embora se quiserem.

O Níger reconhece o TPI, que pede a prisão de Khadafi, de seu filho Saif al-Islam e de seu ex-chefe de inteligência Abdullah Sanussi.

O país também reconheceu na semana passada o CNT como novo governo de fato da Líbia. Mas segundo Mark Doyle, correspondente da BBC em Niamei, o governo do país está reticente em abandonar completamente Kadafi, com quem manteve uma longa relação de amizade.

Comboio

Um comboio com cerca de 50 veículos líbios fortemente armados foi visto no Níger na última terça-feira.

Durante a entrevista à TV síria, Kadafi afirmou que não havia nada de anormal sobre os comboios que entraram no Níger.

Membros da oposição a Kadafi na Líbia dizem acreditar que o comboio carregava dinheiro e ouro do regime, além de combatentes de etnia tuaregue recrutados pelo líder líbio.

Também há relatos de que o chefe de segurança de Kadafi, Mansour Daw, esteja abrigado no Níger, tendo entrado em um comboio que chegou ao país no domingo.

Já a mulher do líder líbio, dois de seus filhos e sua filha se refugiaram na Argélia na semana passada.

Burkina Faso, que faz fronteira com o Níger, negou relatos de que teria oferecido asilo a Kadafi.

Especulações

Um alto membro do CNT, Fathi Baja, afirmou que as novas autoridades líbias pedirão ao Níger que envie de volta à Líbia qualquer colaborador de Kadafi.

Ele também afirmou que se ficar comprovado que os aliados de Kadafi levaram recursos do antigo regime ao Níger, o CNT exigirá o retorno do dinheiro.

O paradeiro de Kadafi ainda é objeto de especulações, mas os combatentes do conselho de transição acreditam que ele ainda esteja na Líbia.

Um porta-voz da Otan afirmou à BBC que Kadafi não é alvo de suas operações na Líbia, mas que a organização continuará a bombardear "centros de comando e controle" ligados ao ex-líder.

"Se tivermos informações de inteligência que revelem que ataques estão sendo coordenados de alguma localidade específica ou que comunicações estão sendo enviadas ou recebidas para promover ataques ou com ameaças de ataques, nós agiremos", afirmou.

O CNT vem tentando negociar uma solução pacífica para impasses em algumas cidades do país ainda controladas por forças leais a Kadafi.

A lista inclui as cidades de Bani Walid, Jufra, Sabha e Sirte, cidade natal do ex-líder.

O CNT posicionou suas forças no entorno de Bani Walid e diz que as tentativas de negociação continuarão até o sábado, quando vence um ultimato dado aos aliados de Kadafi.

 

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