Em entrevista, Bush aceita comparação entre Iraque e Vietnã

Em uma entrevista concedida à rede de TV americana ´ABC News´, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, aceitou pela primeira vez uma comparação entre a crescente violência no Iraque e a ofensiva Tet, durante a Guerra do Vietnã, em 1968. Nessa ofensiva, os vietcongues e o Exército norte-vietnamita levaram a cabo uma série de ataques contra as forças americanas que minaram o apoio da opinião pública ao presidente democrata Lyndon Johnson. "Claro que existe um nível mais elevado de violência (no Iraque), e estamos a caminho de uma eleição" em novembro, declarou Bush, que é republicano. O presidente deu a declaração quando o entrevistador lhe perguntou se ele concordava com o jornalista Thomas Friedman, cuja coluna desta quarta-feira compara os dois momentos históricos. "Ele pode estar certo", disse Bush, referindo-se ao articulista do The New York Times.A entrevista foi feita no encalço da revelação de que 11 soldados americanos morreram em combate no Iraque nos últimos dois dias. Com uma média de quase quatro baixas por dia, outubro pode se tornar o mês mais sangrentos para as forças americanas no país desde o cerco a Faluja, há dois anos. Até esta quarta-feira, dia 18, 70 militares morreram em serviço no país árabe.O grande aumento de baixas fatais é atribuído pelos militares ao Ramadã, mês sagrado muçulmano, e a uma operação de segurança que expôs mais as forças dos EUA em Bagdá e subúrbios. Enquanto aumenta o número de mortos tanto entre as forças dos EUA quanto entre os civis iraquianos, que estão sendo dizimados numa média de 43 por dia, o governo dominado pelos xiitas do país vem sendo fortemente pressionado pela administração Bush para reverter a situação.Surgiram nos últimos dias sinais crescentes de tensão entre Washington e o governo do primeiro-ministro Nouri al-Maliki, que sentiu-se na obrigação de pedir numa conversa telefônica com Bush esta semana garantias de que não seria abandonado pelos americanos.O ministro do Exterior iraquiano, Hoshyar Zebari, também direcionou suas baterias contra os Estados Unidos. Segundo ele, as autoridades americanas que administraram o Iraque antes da ascensão do atual governo são responsáveis por terem levado o país ao atual estado de caos."Se nossos amigos tivessem nos escutado, não estaríamos como estamos hoje", afirmou Zebari.E, perguntado a que amigos se referia, ele foi direto. "Os americanos, a (Autoridade Provisória de) Coalizão, os britânicos. OK? Se eles tivessem nos ouvido, estaríamos em outra situação, realmente".Foi uma declaração incomumente dura para Zebari, um curdo, cujo grupo étnico deve muito à intervenção dos EUA no Iraque e por sua virtual autonomia no norte do país.EleiçõesA impopular guerra do Iraque e o crescente número de soldados americanos mortos tem pesado nas intenções de voto dos americanos para as eleições legislativas de novembro. Segundo as últimas pesquisas, o Partido Republicano, de Bush, corre sério risco de perder a maioria na casa.A última morte de um americano no Iraque ocorreu nesta quarta-feira, quando um soldado foi atingido por disparos de armas leves durante uma patrulha no sul de Bagdá.Mais cedo, o comando militar dos Estados Unidos havia confirmado a morte de nove soldados e de um fuzileiro naval em episódios de violência ocorridos na terça-feira.Com uma média de quatro soldados americanos mortos por dia, outubro caminha a passos largos para ser um dos piores meses para os EUA desde a invasão do Iraque, há pouco mais de três anos e meio.Se as mortes de americanos no Iraque continuarem nesse ritmo, os números de outubro certamente superarão os de novembro de 2004, quando 137 militares morreram em Faluja, sendo que 126 deles em combates.De acordo com uma contagem da Associated Press, outubro também está sendo um dos piores meses para a população local desde abril do ano passado, quando a agência começou a contabilizar as mortes de iraquianos. Até agora, 767 iraquianos morreram em incidentes relacionados com a guerra somente em outubro.

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