Em época eleitoral, Austrália revê política climática

A primeira-ministra australiana, Julia Gillard, voltou a prometer uma taxação sobre as emissões de carbono, mas disse que isso pode demorar, pois exige consenso entre empresas e eleitores - a questão climática deve ser um dos principais temas da campanha eleitoral deste ano no país.

MICHAEL PERRY, REUTERS

13 de julho de 2010 | 09h54

Gillard realiza uma reunião ministerial na terça-feira para formular a nova política climática. A imprensa diz que o pacote pode incluir restrições a usinas termoelétricas a carvão e novas metas de eficiência energética.

Ainda não há data marcada para a eleição no país, mas especula-se que Gillard poderá convocar o pleito nos próximos dias, para o final de agosto.

"Entendo que há milhões de australianos desapontados por não termos ainda conseguido pôr um preço no carbono. Estou desapontada com isso também", disse Gillard em entrevista coletiva antes da reunião.

"Mas para chegarmos lá precisamos ter um diálogo com a comunidade, que leve a um consenso profundo e duradouro sobre como todos nós precificamos o carbono, como levamos adiante um mecanismo de mercado, como vamos trabalhar juntos para alcançar transformações na nossa economia", afirmou ela.

Gillard disse que o governo pode tomar outras medidas não especificadas a respeito do clima.

A primeira-ministra, que está no cargo desde 24 de junho, quando substituiu Kevin Rudd na liderança do seu Partido Trabalhista, havia dito anteriormente que só em 2012 o governo tomaria uma decisão sobre um esquema de comercialização de créditos de carbono.

Antes da ascensão de Gillard, o trabalhismo parecia fadado a uma derrota eleitoral, já que muitos eleitores haviam abandonado o governo por causa da incapacidade de Rudd de aprovar no Parlamento a sua proposta para os créditos de carbono.

O Partido Trabalhista precisa reconquistar eleitores desiludidos do Partido Verde para superar a oposição do Partido Liberal Nacional.

Pesquisas publicadas na segunda-feira indicam uma estreita vantagem dos trabalhistas, com 52 por cento dos votos, contra 48 da oposição conservadora.

De acordo com as pesquisas, o eleitorado quer medidas rápidas contra a mudança climática. Entre as empresas também há preocupação com a demora na adoção de regras, pois a incerteza afeta os investimentos em energia e consequentemente causa uma elevação no preço cobrado pela eletricidade.

"Nossos preços energéticos estão subindo independentemente (do pacote climático)", disse Brad Page, chefe da Associação de Fornecimento Energético da Austrália.

"É uma questão de se eles sobem mais do que precisam, e vão subir menos se tivermos uma política de carbono estável e previsível, ao invés de uma situação em que temos incerteza."

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