Em evento, Bush e Blair são acusados por crimes de guerra

Os líderes dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha foram chamados de "criminosos de guerra fascistas" em uma conferência realizada pela Comissão de Crimes de Guerra, em Kuala Lumpur, na Malásia, onde cerca de 2.000 ativistas da paz aplaudiram as acusações nesta segunda-feira. O polêmico ex-primeiro-ministro da Malásia Mahathir Mohamad, anfitrião da conferência, foi ovacionado depois de abrir o evento com o pedido para que George W. Bush e Tony Blair sejam julgados por um tribunal não-oficial de crimes de guerra no Iraque. "Não devemos enforcar Blair se o tribunal considerá-lo culpado", disse Mahathir, que dedicou a maior parte do veneno ao primeiro-ministro britânico em seu discurso de uma hora, ilustrado com fotos de crianças feridas, bebês deformados e homens torturados. "Ele deve sempre levar o título de criminoso de guerra, assassino de crianças e mentiroso." Mahathir, figura polêmica que tem o próprio governo acusado de abusos contra os direitos humanos em casos de tortura, lidera uma campanha para ressaltar o que chama de abusos e hipocrisia das forças lideradas pelos EUA que lutam pela democracia no Oriente Médio. A campanha atingiu um novo nível de intensidade nesta segunda-feira, com uma exibição de supostos crimes de guerra cometidos pelas forças dos EUA e seus aliados, desde Hiroshima até o Iraque. Enquanto Mahathir falava na principal sala de conferências, lotada de estudantes e simpatizantes, gritos gravados de homens torturados e bebês órfãos ecoavam pela Exposição de Crimes de Guerra, no andar de baixo. A visita começa através de um jato falso de fósforo branco, agente químico que queima carne, e segue para uma câmara de torturas chamada "métodos de tortura usados em prisioneiros na Baía de Guantánamo e Abu Ghraib". Na sala, figuras representando homens nus estão penduradas de cabeça para baixo em camas de metal. Outro está amarrado a uma cadeira, com pernas e braços perfurados por pregos. Outro é bombardeado por música disco incessante em alto volume. "Quem imaginaria que a alegre música de Boney M. pudesse ser usada como instrumento de dor e tortura?", diz a explicação. A exposição também leva o visitante ao Vietnã, incluindo o massacre de civis por tropas norte-americanas em My Lai. Depois, há um longo rastro de sangue falso através de uma cena representando vítimas civis da ofensiva de Israel no Líbano no ano passado. Entre os palestrantes estão a ex-legisladora dos EUA Cynthia McKinney, democrata que classificou a guerra liderada pelos EUA no Iraque de ilegal, e o ex-secretário geral assistente da ONU Hans von Sponeck, que participou em uma tentativa similar de estabelecer um tribunal de crimes de guerra durante conferência na Turquia em 2005. Também participa Ali Shalah, descrito como o homem da famosa foto da prisão norte-americana de Abu Ghraib, no Iraque, em que aparece com fios elétricos ligados aos dedos, apesar de o jornal New York Times ter publicado recentemente uma reportagem dizendo que não é ele. "Qualquer um que olhe o programa (da conferência) sabe do que se trata", disse uma autoridade da embaixada do EUA, que se recusou a fazer mais comentários. Não foi possível contatar um porta-voz da embaixada britânica para comentar a conferência.Dezessete pessoas, nove do Iraque, cinco de territórios palestinos, e três libaneses chegaram para participar da conferência de paz nesta segunda-feira para realizarem suas considerações para a Comissão de Crimes de Guerra, em Kuala Lumpur.

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