Octavio Jones/Reuters
Octavio Jones/Reuters

Tensão marca entrevista com Trump na TV dos EUA

Com o cancelamento do debate previsto para a quinta, 15, o presidente republicano e seu rival democrata, Joe Biden, responderam a perguntas do público em emissoras de televisão diferentes

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2020 | 21h35
Atualizado 16 de outubro de 2020 | 08h23

MIAMI - Com o segundo debate entre os candidatos que estava previsto para esta noite cancelado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu desafiante nas eleições, o democrata Joe Biden, participaram de dois eventos simultâneos nos quais responderam a perguntas de eleitores. 

A pandemia de coronavírus no país foi o tema inicial para os dois candidatos. No evento transmitido pela NBC, em Miami, Trump foi questionado sobre seu próprio diagnóstico de covid-19 e sintomas. Biden, na transmissão da ABC, na Filadélfia, respondeu sobre quais políticas teria implementado de maneira diferente se fosse o presidente. 

Durante uma intensa sessão de perguntas que durou uma hora, em Miami, Trump foi pressionado repetidamente em tópicos difíceis por eleitores e pela moderadora Savannah Guthrie. Em alguns momentos, Trump pareceu estar tenso e visivelmente irritado com as perguntas agressivas, especialmente no início da sessão. 

Como o presidente havia antecipado na tarde de quinta-feira, a entrevista se transformou em um confronto com Guthrie, que corrigiu várias de suas alegações polêmicas. "Eles nos armaram para hoje à noite. Se você quiser se divertir um pouco, pode assistir", disse Trump durante um comício na Carolina do Norte.

Trump respondeu que se sentia bem após testar positivo para covid-19 há quase duas semanas e não se lembrava se foi testado no dia do primeiro debate com Biden, no dia 30. "Eu não sei. Nem me lembro. Eu sou testado o tempo todo, isso eu posso te dizer. Após o debate,  acho que um dia ou dois, acho que foi na quinta-feira à noite, talvez tarde da noite, eu testei positivo. Foi quando eu descobri." 

Trump também enfrentou questões sobre a supremacia branca, teorias da conspiração e sua relutância em adotar máscaras durante a pandemia. Ele se recusou a condenar, e até elogiou, a rede de teorias da conspiração QAnon, evitando a responsabilidade por seus retuítes com essas teorias. “As pessoas podem decidir por si mesmas", disse.

No fim, Trump se esquivou de perguntas específicas sobre o momento de seu teste pessoal de coronavírus, seus planos para o sistema de saúde do país e suas declarações de renda. Ele também defendeu que sua gestão da pandemia salvou 2 milhões de vidas.

O presidente republicano tentou encerrar sua contenciosa participação com uma mensagem positiva. Questionado sobre o que diria aos eleitores indecisos, o presidente republicano declarou que "fez um ótimo trabalho" em seu primeiro mandato e previu que "o próximo ano será melhor do que nunca". 

Biden, falando aos eleitores na Filadélfia, procurou colocar o tratamento de Trump no centro da pandemia, culpando o presidente republicano por minimizar a ameaça do vírus que matou mais de 216 mil pessoas nos EUA. "Ele disse que não alertou a ninguém porque temia que os americanos entrassem em pânico", Biden disse. "Os americanos não entram em pânico. Ele entrou em pânico."

O ex-vice-presidente de Barack Obama entre 2009 e 2017 disse que, se chegar à Casa Branca, vai pressionar governadores, prefeitos e outras autoridades locais para garantir que os cidadãos sejam vacinados. "Se todo os cientistas afirmarem que a vacina está pronta, foi testada, passou por todas as três fases de testes, sim, eu tomaria e encorajaria as pessoas a tomarem também", disse Biden.

Mas quando questionado se tornaria a vacinação obrigatória, o democrata respondeu: "Você não poderia, esse é o problema. Você não pode dizer 'todo mundo tem que fazer isso'”.

O democrata também sugeriu que estaria potencialmente aberto a fazer mudanças na Suprema Corte, e possivelmente expandi-la, acrescentando que declararia sua posição antes da eleição. O Senado americano realiza esta semana sabatinas com a juíza indicada por Trump, Amy Coney Barrett, para a Suprema Corte, a poucas semanas das eleições presidenciais. Alguns liberais defendem que ampliar o número de juízes da Suprema Corte seria uma resposta adequada ao bloqueio dos republicanos à nomeação do juiz Merrick Garland em 2016, indicado pelo presidente Barack Obama, também em um ano eleitoral. A aprovação da juíza Barrett deve aumentar ainda mais o peso conservador na Suprema Corte .  

"Você terá uma posição clara antes do dia da eleição?", perguntou o moderador George Stephanopoulos a Biden. "Sim, dependendo de como eles (senadores) lidam com isso."

Os fóruns com eleitores foram realizados em vez de um segundo debate entre os candidatos, que deveria acontecer de maneira virtual esta noite. Trump se recusou a participar do debate quando a comissão encarregada de organizar o evento disse que ele seria realizado de maneira virtual após o presidente contrair o coronavírus. Um último debate está marcado para o dia 22 de outubro na cidade de Nashville, no Tennessee.

Há menos de três semanas da eleição de 3 de novembro, o presidente republicano está buscando maneiras de alterar a dinâmica de uma disputa na qual Biden está com uma vantagem de dois dígitos em algumas pesquisas nacionais./ COM REUTERS, W. POST, AP, NYT  e EFE.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.