Caroline Brehman/Pool via The New York Times
Caroline Brehman/Pool via The New York Times

Em feito histórico, pediatra transgênero é aprovada para integrar governo Biden

Decisão representa um claro contraste com as medidas consideradas discriminatórias do ex-presidente Donald Trump

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2021 | 22h37

WASHINGTON - O Senado dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira, 24, a pediatra Rachel Levine como subsecretária de Saúde do governo Biden, transformando-a na primeira transgênero a chegar a um alto cargo no governo federal.

Professora universitária de Pediatria, Levine, de 63 anos, era até janeiro diretora de Saúde do Estado da Pensilvânia, encarregada sobretudo da luta contra a covid-19. O cargo lhe deu a "experiência essencial de que necessitamos para que as pessoas superem esta pandemia", avaliou o presidente, Joe Biden, ao anunciar sua nomeação em janeiro.

Os republicanos, no entanto, criticaram sua gestão da crise sanitária na Pensilvânia. Rachel Levine foi finalmente confirmada por 52 votos a favor e 48 contra no Senado, com apenas duas legisladoras republicanas - as senadoras Susan Collins (Maine) e Lisa Murkowski (Alasca) - unindo-se ao campo democrata para aprovar sua indicação.

Levine foi alvo de ataques online à medida que seu perfil ganhava força durante a pandemia e o senador republicano Rand Paul a atacou no mês passado em uma audiência da Comissão de Saúde, Educação, Trabalho e Pensões do Senado, questionando seu apoio às terapias de hormônio para menores. Organizações de defesa e especialistas em saúde pública condenaram as perguntas de Paul como falsas representações prejudiciais, e os colegas democratas de Paul o repreenderam pelos comentários.

"Acredito firmemente que os pontos de inflexão, como o voto de confirmação do Senado para a nomeação da doutora Levine, são indicações poderosas de que esta nação está realmente caminhando para a igualdade transgênero duradoura", disse Raffi Freedman-Gurspan, que serviu no governo Obama e foi o primeiro oficial abertamente transgênero a trabalhar na Casa Branca.

"A doutora Levine se torna a primeira americana abertamente transgênero a ser confirmada pelo Senado, em um momento-chave na história dos Estados Unidos", tuitou Matt Hill, um dos encarregados de comunicação da Casa Branca.

As associações de defesa das pessoas LGBT também aplaudiram sua confirmação. "É um momento histórico", que marca uma mudança "importante para a visibilidade e a integração das pessoas transgênero", reagiu por sua vez Kevin Jennings, diretor jurídico da organização Lambda.

Rachel Levine também é "a mais alta encarregada do nosso governo que é abertamente transgênero", ressaltou.

Sua chegada ao governo Biden representa um claro contraste com as medidas consideradas discriminatórias para as pessoas transgênero do ex-presidente Donald Trump.

Durante seu discurso da vitória nas eleições presidenciais de novembro, Biden foi o primeiro presidente eleito dos Estados Unidos a incluir as pessoas transgênero em seus agradecimentos./AFP e W. Post 

 

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