Em festa, França condecora Ingrid

Ex-refém das Farc acompanha Sarkozy e outros líderes mundiais em tribuna de honra do Dia da Bastilha

AP, EFE E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

15 de julho de 2008 | 00h00

Ingrid Betancourt, ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), recebeu ontem a Medalha da Legião da Honra, principal condecoração da França, do presidente francês, Nicolas Sarkozy, em meio às celebrações do aniversário da Queda da Bastilha. Ingrid, que tem dupla nacionalidade (colombiana e francesa), dedicou a honraria a todos colombianos - especialmente aos que ainda são reféns da guerrilha. "Estou emocionada", disse Ingrid, libertada no dia 2 com outros 14 reféns numa operação do Exército colombiano. "Pouco a pouco, começo a ser a mulher que uma vez fui."Sarkozy elogiou a ex-refém, que passou mais de seis anos seqüestrada pelas Farc. "Você é um símbolo de esperança", afirmou o presidente. "Há mais de seis anos que a esperávamos. Bem-vinda!" Sarkozy prometeu continuar trabalhando pela libertação dos reféns ainda estão em poder das Farc. E pediu a Ingrid que fique o "maior tempo possível" na França, onde ela está segura e é querida.Ingrid deveria voltar para a Colômbia para participar da manifestação contra a guerrilha marcada para domingo. No entanto, ela desistiu de regressar a Bogotá porque sua família teme por sua segurança. A ex-refém deve participar de uma marcha em Paris no mesmo dia, pela libertação do reféns.Ingrid também assistiu, ao lado de cerca de 40 chefes de Estado e governo, à tradicional parada da Bastilha. Na tribuna, estavam líderes de países que mantêm rivalidades históricas - como Síria e Israel. Também participaram da celebração o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon e a chanceler alemã, Angela Merkel (mais informações nesta página).Apesar das ameaças de protestos durante o desfile, a cerimônia ocorreu sem transtornos. O grupo Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirmou que oito de seus integrantes foram presos perto do local do evento quando protestavam contra o presidente sírio, Bashar Assad.Também havia especulações de que um grupo de veteranos das Forças Armadas poderia protestar contra Assad pela suposta participação da Síria no massacre de 58 soldados franceses num atentado a bomba no Líbano, em 1983.ATOS DE VANDALISMOUm dia antes das comemorações do Dia da Bastilha, atos de vandalismo tomaram conta da França. Na madrugada de ontem, cerca de 300 carros foram queimados e 121 pessoas foram detidas.Segundo um balanço provisório do Ministério Interior francês divulgado ontem, foram incendiados 297 veículos - dos quais 211 deles ocorreram na região de Paris. No mesmo período do ano passado, 266 carros foram incendiados e cerca de cem pessoas foram detidas.

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