Em Gaza, 80% dos habitantes recebem ajuda alimentar

Cerca de 80% dos 1,4 milhão de habitantes da superpovoada Faixa de Gaza está abaixo da linha de pobreza e sua subsistência depende da ajuda alimentar de organismos da Organização das Nações Unidas, segundo Kirstie Campbell, porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA), da ONU.Sem a ajuda fornecida pelo PMA e pela agência da ONU de assistência aos refugiados palestinos (UNRWA), eles "poderiam morrer de fome", afirmou Kirstie ao jornal israelense Ha´aretz, que publica tais dados na edição deste domingo, 4.Além disso, o desemprego atinge 36% da população em Gaza e 19% na Cisjordânia, onde 46% dos palestinos estão abaixo da linha de pobreza.Neste fim de semana, a polícia israelense de fronteiras deteve mil trabalhadores da Cisjordânia que se encontravam ilegalmente em Israel. Parte deles foi submetida a interrogatório, e a maioria dos operários palestinos voltou para suas casas.Aproximadamente 34% dos habitantes dos territórios palestinos têm uma renda diária inferior a US$ 1,60 (? 1,21), sofrendo de "insegurança alimentar", situação definida pelo PMA como a incapacidade de uma família para proporcionar a seus membros alimento suficiente para uma vida ativa e saudável.´Novos pobres´Em Gaza, onde muita gente só dispõe de tomates e pão para comer, a porcentagem aumenta para 54%. Farinha, sal, óleo de cozinha, grão-de-bico e tehina - uma pasta própria da região à base de gergelim - são os alimentos proporcionados pelo PMA e dos quais dependem várias famílias."Vemos cada vez mais crianças que chegam à escola sem ter tomado café da manhã e sem os meios para comprá-lo", disse Kirstie ao jornal, acrescentando que "muitas famílias só podem dar a seus filhos uma refeição por dia", um problema "particularmente grave em Gaza", mas que "também acontece na Cisjordânia".O problema, segundo a expressão de funcionários do PMA, são os "novos pobres": a antiga classe média que trabalhava em Israel e perdeu sua fonte de renda por causa das proibições impostas por razões de segurança.Antes do primeiro levante palestino (Intifada) contra a ocupação militar israelense em Gaza e na Cisjordânia, que explodiu em 1987, cerca de 120 mil trabalhadores ganhavam a vida em Israel.Campbell ressalta que a escassez de alimentos, que anteriormente só ocorria em zonas rurais, se estendeu também aos núcleos urbanos, atingindo desde os comerciantes e os artesãos até os proprietários de pequenas oficinas, entre outros."A economia palestina está se transformando em uma economia de ´ilhas´", com "pequenas áreas nas quais os moradores fazem comércio entre si", explica a porta-voz.

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