Em Guantánamo, EUA condenam motorista de Bin Laden

Umacorte militar norte-americana condenou na quarta-feira omotorista de Osama bin Laden pelo crime de dar apoio aoterrorismo, mas o considerou inocente da acusação mais grave deconspirar com a Al Qaeda. O juiz marcou para quarta-feira à tarde o início dosprocedimentos para fixar a pena a ser cumprida pelo réu, quepodem levar dois dias. A sentença surgiu no primeiro julgamento por crimes deguerra realizado pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial. O processo envolvendo o réu iemenita Salim Hamdan erealizado na remota base naval norte-americana da baía deGuantánamo, em Cuba, representa o primeiro teste completo paraos polêmicos tribunais criados pelo governo dos EUA a fim dejulgar, fora do sistema judicial regular, os estrangeirosacusados de terrorismo. Os defensores desses procedimentos, entre os quais a CasaBranca, afirmam que a sentença de Hamdan provava sua eficácia,já que o réu havia sido absolvido de algumas das acusações. Noentanto, defensores dos direitos humanos e dos direitos civisbem como advogados de defesa militares condenaram o processo. Hamdan pode ser condenado à prisão perpétua no máximo, mas,mesmo que tivesse sido absolvido por completo, poderia ficardetido por tempo indeterminado na qualidade de "combatenteinimigo". Os seis jurados militares deliberaram por pouco mais deoito horas antes de chegarem a uma conclusão a respeito doiemenita, capturado no Afeganistão, em 2001, em meio à invasãolançada pelos EUA como consequência dos ataques de 11 desetembro daquele ano. Usando um turbante azul, Hamdan permaneceu de pé dentro dasala de audiência, ao lado de seu advogado, enquanto,aparentemente nervoso, ouvia a sentença por meio de fones deouvido nos quais falava um tradutor. Ele levou as mãos ao rosto e chorou quando foi lido overedicto de culpado. Em Washington, Tony Fratto, porta-voz da Casa Branca, disseque Hamdan havia recebido um julgamento justo e que ostribunais militares haviam dado provas de que funcionavam. JáBryan Whitman, porta-voz do Pentágono, disse que as ForçasArmadas agora julgariam outros 20 detentos de Guantánamoacusados de crimes de guerra. O candidato do Partido Republicano à Presidência dos EUA,John McCain, recebeu com satisfação a sentença e disse que osesforços para levar terroristas diante da Justiça estavamatrasados. O adversário democrata de McCain, Barack Obama, não semanifestou ainda sobre o caso. (Reportagem adicional de Randall Mikkelsen em Washington)

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