EFE/Leonardo Muñoz
EFE/Leonardo Muñoz

Em Guayaquil, papa fará primeira missa no Equador e encontrará o "xará" Paquito

Francisco celebrará missa na capital econômica do Equador no começo da tarde desta segunda-feira antes de almoçar com vice-reitor do Colégio Javier, Francisco Cortés

Rodrigo Cavalheiro, Enviado Especial / Quito, O Estado de S. Paulo

06 de julho de 2015 | 11h50

QUITO - O padre espanhol Francisco Cortés tornou-se uma celebridade no Equador, depois de o papa Francisco repetir que uma das razões de sua viagem ao país era ver o "padre Paquito", apelido pelo qual o religioso equatoriano é conhecido em Guayaquil. Aos meios locais de imprensa, Paquito - apelido comum para o nome Francisco entre os hispânicos - disse que fará ao papa uma pergunta que o intriga. "Quero perguntar por que se lembrou de mim", disse ao jornal El Comercio, de Quito.

Paquito tem 91 anos e se orgulha de ter recebido saudações do papa enviadas por seis pessoas. Ele almoçará com o pontífice nesta segunda-feira, 6, depois da missa prevista para as 13h45 (horário de Brasília). O espanhol é o vice-reitor do Colégio Javier, na capital econômica equatoriana, no sul do país.

O papa argentino era o reitor do Colégio San José, no bairro de Flores, em Buenos Aires, quando escolheu em 1981 a sede equatoriana para seus alunos seminaristas prestarem serviço comunitário, obrigatório para a formação sacerdotal. O espanhol viu o amigo Jorge Bergoglio pela última vez em 1985, quando acompanhou na capital argentina a ordenação dos alunos que haviam passado por Guayaquil. Em 2013, quando Bergoglio escolheu o nome para o pontificado, ambos viraram "xarás".

Papa e avião. Durante o voo de Roma a Quito, no domingo, o Papa Francisco enviou telegramas ao rei da Espanha e aos presidentes dos países sobrevoados. No telegrama ao presidente português Aníbal Cavaco Silva, disse: "Ao sobrevoar Portugal numa visita pastoral que me leva ao equador, Bolívia e Paraguai, tenho o prazer de saudar Vossa Excelência formulando cordiais votos para sua pessoa e inteira Nação sobre a qual invoco benevolência divina para que seja consolidada nela a esperança e alegria de viver na harmonia e bem-estar de todos seus filhos. Francisco PP"

Papa e a tietagem. Nos estreitos corredores do avião da companhia Alitalia durante a viagem ao Equador, o papa Francisco voltou a mostrar simpatia e carisma brincando com os jornalistas que estavam no voo. Recebeu dezenas de presentes , abençoou fotos e até posou para os pedidos de "selfies". Após terminar o café da manhã - fruta, frios, queijo, doces e iogurte - Francisco, que viajou na parte dianteira da aeronave, foi ao fundo do avião onde era esperado por 75 jornalistas que o acompanham nesse retorno à América do Sul.

Francisco começou a cumprimentar um a um os jornalistas pelos estreitos corredores do Airbus A330, rodeado por câmeras de televisão, máquinas fotográficas, tablets e celulares. Quase todos queriam um registro ao lado do pontífice. Casa, ou melhor, América Latina, onde Francisco já esteve em julho de 2013, quando visitou o Brasil. Porém, no Equador, Bolívia e Paraguai o papa pode se expressar em espanhol, sua língua materna.

Como em qualquer audiência das quartas-feiras, os jornalistas repetiram os gestos dos fiéis na praça São Pedro. Trouxeram presentes e pediram "selfies" e bênçãos ao pontífice. Os mais emocionados eram os seis jornalistas dos países nos quais o papa passará: dois do Equador, dois da Bolívia e dois do Paraguai. Um dos equatorianos trouxe fotos de sua família para ser abençoada. Já uma boliviana o presenteou com uma das cruzes de madeira que o papa dará a bênção em Santa Cruz, durante a missa de abertura do Congresso Eucarístico na Praça do Cristo Redentor.

Francisco não hesitou em posar para uma "selfie" para a outra jornalista boliviana, que fez o pedido com muita vergonha, revelou o papa após o registro. Além disso, o pontífice brincou com os repórteres cinematográficos, que não podem largar as câmeras para cumprimentá-lo.

Francisco distribuiu até "bênçãos digitais" ao atender ao pedido de um jornalista que mostrou a foto de sua avó ao papa através de um celular. Aos que lhe perguntaram sobre o que ele esperava da dura viagem, a mais longa realizada até agora, o papa respondeu brincando: "Não ocorrerá nada, mascarei (a folha de) coca".

Francisco teve um pulmão retirado quando tinha 21 anos, razão pela qual havia preocupação com a reação de seu organismo à altitude de Quito, a 2,8 mil metros sobre o nível do mar. Ele ainda passará pelos 4 mil metros de altitude de El Alto, na Bolívia, onde chegará na quarta-feira. / COM EFE

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