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Em Havana, Kerry diz que EUA pressionarão Cuba a respeitar direitos humanos

Na capital cubana, onde reinaugurou embaixada americana após 54 anos, secretário de Estado dos EUA disse - em espanhol - que não há o que temer sobre o futuro das relações entre os dois países

Cláudia Trevisan, Enviada especial / Havana, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 13h15

HAVANA - Primeiro secretário de Estado americano a pisar em solo cubano em 70 anos, John Kerry defendeu na manhã desta sexta-feira, 14, a democratização e a realização de eleições livres na ilha. Também enviou uma mensagem em espanhol à população local sobre o futuro das relações entre os antigos adversários da Guerra Fria: "Não há nada para temer".

Sob um sol inclemente de 32ºC, Kerry comandou a cerimônia de hasteamento da bandeira dos EUA em Havana, 54 anos depois de ela ter sido retirada do local, em razão do rompimento das relações diplomáticas bilaterais.

Os cerca de 1.000 cubanos que acompanhavam o evento do lado de fora do prédio gritaram e aplaudiram quando a bandeira foi içada, por volta 10h30 (hora local). Minutos antes, haviam gritado "viva Cuba" durante a execução do hino do país. Bandeiras de Cuba pendiam de prédios vizinhos à embaixada e muitos dos que se reuniram para ver o evento à distância levavam símbolos de um ou do outro país.

Mesmo ressaltando que o futuro de Cuba deve ser decidido pelos cubanos, Kerry afirmou que os Estados Unidos continuarão a pressionar o governo da ilha a obedecer às convenções de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). "Nós estamos convencidos de que o povo de Cuba será mais bem servido por uma democracia genuína, na qual o povo seja livre para escolher seus líderes, expressar suas ideias e praticar sua fé", declarou, pouco antes do hasteamento da bandeira, em frente ao Malecón.

Dissidentes não foram convidados para a cerimônia, mas se encontrarão com Kerry durante a tarde na residência oficial da embaixada. O secretário lembrou que esteve na semana passada no Vietnã para celebrar o restabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, que se enfrentaram em uma guerra sangrenta na década de 70. 

TV Estadão: Esperança na reabertura da embaixada dos EUA em Cuba

"Não é necessário ter um GPS para perceber que o caminho de isolamento mútuo e estranhamento que os Estados Unidos e Cuba trilhavam não é o correto e que chegou o momento de nos movermos em uma direção mais promissora", disse.

Kerry fez referência a alguns dos fatos que opuseram os dois países nas últimas cinco décadas e meia, como a invasão da Baía dos Porcos, a crise dos mísseis de 1962 e o alinhamento de Cuba com a União Soviética. "Os eventos do passado - as palavras duras, as ações provocativas e retaliatórias, as tragédias humanas - têm sido uma fonte de profunda divisão."

Carregando uma bandeira americana, Oslandy López, de 26 anos, estava no grupo que assistiu à cerimônia do lado de fora da embaixada. "Estou aqui porque quero mudança. Uma mudança total, política, econômica, social. Tudo", disse ao Estado.

A expectativa entre cubanos é que o restabelecimento de relações diplomáticas leve ao fim do embargo econômico contra a ilha, aumente investimentos e amplie o acesso à tecnologia e informação.

Em seu discurso, Kerry observou que o fim do embargo depende de uma decisão do Congresso americano e lembrou que ele e o presidente Barack Obama são a favor de suspensão. O secretário observou, no entanto, que a medida será consequência de decisões adotadas por ambos os lados.

"O embargo sempre foi algo como uma rua mão dupla. Ambos os lados precisam remover restrições que estão mantendo os cubanos atrás."

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