Enrique de la Osa/REUTERS
Enrique de la Osa/REUTERS

Em Havana, Hollande pede fim do embargo americano a Cuba

Presidente da França se encontra com Raúl Castro e lança nova relação diplomática entre a Europa e a ilha; empresários buscam negócios, antecipando-se a americanos

O Estado de S. Paulo

11 de maio de 2015 | 15h13

PARIS - Em uma visita emblemática de um líder europeu a Havana, o presidente da França, François Hollande, pediu nesta segunda-feira, 11, o fim do embargo americano a Cuba, ao mesmo tempo em que lançou as bases de uma nova relação diplomática e econômica entre a Europa e a ilha. Acompanhado de uma delegação de ministros e de empresários, de olho na abertura da economia da ilha, o socialista exortou os Estados Unidos a acelerarem a distensão, anulando as sanções em vigor desde os anos 60.

Desde 1991, com a queda da União Soviética, a França tem uma posição progressista em relação ao embargo econômico, votando todos os anos pelo seu fim na Assembleia Geral das Nações Unidas. Nesta segunda, Hollande foi além e, em discurso na Universidade de Havana, disse que é hora de a comunidade internacional confirmar a normalização das relações com o regime castrista. "A França fará o possível para que a abertura possa ser confirmada, para que as medidas que tanto prejudicam o desenvolvimento de Cuba possam ser enfim anuladas, suprimidas", afirmou à plateia de universitários. "Vocês sabem que a França sempre foi favorável ao fim do embargo."

Hollande colocou-se na condição de porta-voz da Europa no momento em que discursava. "Eu venho como presidente da França, mas também como representante e membro fundador da União Europeia", frisou. O francês destacou ainda a proximidade histórica com a América Latina, anunciando a disposição de estreitar as relações políticas e econômicas. "Vínculos seculares unem Cuba e França. Nós compartilhamos os mesmo movimentos de ideias, as mesmas aspirações, as mesmas inspirações filosóficas. Nós lemos os mesmos livros e trocamos experiências constantemente", disse, afirmando que "a França é, de certa forma, um país latino-americano" - em uma alusão à Guiana Francesa, território ao norte do Amapá.

Além do gesto simbólico realizado em nome da UE, Hollande também tenta aprofundar os laços econômicos com a ilha dos Castro. Para tanto, uma comitiva de ministros e líderes empresariais acompanha a delegação do Palácio do Eliseu com o objetivo de propor medidas objetivas de integração - como o reconhecimento de diplomas de nível superior e o trabalho conjunto de laboratórios farmacêuticos, medidas reveladas no discurso. "Minha presença mostra a vontade de favorecer as trocas entre os dois países", disse o presidente francês. 

O discurso aconteceu horas antes da reunião bilateral entre Hollande e Raúl Castro, que acontecerá na noite desta segunda, no qual o francês deve informar que pretende acelerar o processo de reaproximação diplomática e econômica entre a Europa e Cuba, para que se torne efetiva ainda em 2015. Uma das intenções de Paris é que a UE - maior parceiro comercial cubano no mundo - se posicione à espera da abertura econômica da ilha, antecipando-se à esperada invasão de empresas americanas após a aproximação entre Barack Obama e Castro, anunciada em dezembro. 

"Estamos em um momento histórico, no qual assistimos a evolução das relações entre Estados Unidos e Cuba. Pode ser interessante para a União Europeia se posicionar como um aliado estratégico para Havana", entende o economista Stéphane Straub, especialista em América Latina da Universidade de Toulouse 1. Segundo Straub, é do interesse de empresários europeus participar do movimento de abertura não apenas pelo mercado cubano, mas também para buscar vantagens competitivas nos EUA. "Em um mundo em que as empresas buscam países pouco onerosos para produzir, um local próximo aos Estados Unidos como Cuba, onde se pode produzir em baixo custo e exportar com facilidade, pode ser muito interessante." 

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