EFE/Alejandro Ernesto
EFE/Alejandro Ernesto

Em homenagem a 'Che' Guevara, sucessor de Raúl Castro critica EUA

Miguel Díaz-Canel fez discurso em Santa Clara criticando 'medidas imperialistas' de Washington e ações de Donald Trump

O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2017 | 19h53

HAVANA - No principal discurso da homenagem pelo 50.º aniversário de morte de Ernesto “Che” Guevara, o primeiro-vice-presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, apontado como sucessor de Raúl Castro no comando de Cuba, apresentou neste domingo, 8, um discurso duro contra “medidas imperialistas” dos EUA. 

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Na primeira homenagem a Che sem Fidel Castro, a decisão de Raúl de não fazer o discurso central do evento dá sinais do processo sucessório que será concluído em fevereiro de 2018. “Cuba não fará concessões relacionadas a sua soberania e independência e não negociará seus princípios nem aceitará condicionamentos”, disse Díaz-Canel, de 57 anos, a um público de 70 mil pessoas em Santa Clara, onde fica o mausoléu do guerrilheiro. 

Díaz-Canel negou que o governo tenha relação com ataques acústicos que, segundo os EUA, provocaram surdez em diplomatas americanos. A retirada de 22 funcionários da ilha marcou um distanciamento entre os dois países, na maior crise após a retomada das relações bilaterais.

O vice-presidente também recordou uma advertência de Guevara: "Não se pode confiar no imperialismo, nem um tantinho assim, nada". 

As declarações de Díaz-Canel surgem depois de o presidente americano, Donald Trump, ter dito, na sexta-feira 6, que não suspenderá "sanções contra o regime de Cuba até que haja total liberdade política para o povo cubano".

O cubano também denunciou que "os EUA lançam constantes ameaças e aplicam sanções injustas" contra a Venezuela, motivo pelo qual reiterou "a solidariedade incondicional de Cuba ao povo bolivariano e chavista".

Entre os presentes na cerimônia em Santa Clara estava Luis Monteagudo, um senhor magro de 79 anos que lutou sob o comando de Che Guevara no Congo. Com uma camiseta branca e uma imagem de Che em vermelho, um emocionado Monteagudo garantiu que, para ele, "Che continua vivo por sua vida, por sua obra e por seu exemplo".

Vários turistas assistiram à cerimônia, no momento em que a ilha é questionada como um destino seguro por parte dos EUA, em razão das denúncias de Washington sobre lesões sofridas por pelo menos 20 de seus diplomatas em Havana em supostos "ataques" à sua saúde.

"Alguns porta-vozes e meios de comunicação se prestam para propagar bobagens sem sentido, sem qualquer evidência, com o perverso propósito de desacreditar a impecável atuação do nosso país, universalmente considerado como um destino seguro para visitantes estrangeiros, incluindo os americanos", denunciou Díaz-Canel.

Homenagens.

No evento de uma hora de duração, artistas declamaram poemas e entoaram canções. Esta foi a primeira homenagem a Che em Cuba sem Fidel Castro, seu chefe e amigo, morto em novembro do ano passado. Foi Fidel que, em 1967, instituiu o dia 8 de outubro como o dia do "Guerrilheiro Heroico".

Uma comitiva oficial cubana partiu no sábado 7 para a Bolívia, onde haverá uma série de atos comemorativos, com o apoio e a participação do presidente Evo Morales. Neste domingo, Evo fez uma peregrinação até o povoado boliviano de La Higuera, onde Che foi executado, e depositou flores no local.

Nascido em 14 de junho de 1928 em Rosario, na Argentina, Che foi um inquieto jovem de família burguesa que estudou Medicina e protagonizou uma histórica viagem de moto pela América do Sul com seu amigo Alberto Granados.

Era fotógrafo no México quando conheceu Fidel Castro em 1956, que preparava a expedição do "Granma", na qual se alistou. Ministro da Indústria e presidente do Banco Nacional, após a vitória de Fidel, Che Guevara se casou com Aleida March e teve quatro filhos. /AFP 

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