Lam Yik Fei / The New York Times
Lam Yik Fei / The New York Times

Manifestantes protestam diante de consulado dos EUA em Hong Kong por pressão sobre China

Ações eram realizadas com tranquilidade, mas à noite foram registrados confrontos entre a polícia e os mais radicais; o militante Joshua Wong foi detido novamente, agora por violar as condições de sua liberdade sob fiança

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2019 | 03h16
Atualizado 09 de setembro de 2019 | 11h47

HONG KONG - Militantes pró-democracia participaram de uma manifestação neste domingo, 8, em frente ao consulado dos Estados Unidos em Hong Kong para pedir à comunidade internacional que aumente a pressão sobre a China, após três meses de protestos.

Os manifestantes se concentraram primeiro em um parque e depois seguiram até a representação diplomática americana, em frente à qual permaneceram por horas.

Os participantes seguravam guarda-chuvas, símbolo das manifestações, bandeiras americanas e faixas com mensagens ao presidente dos EUA, Donald Trump, para que “liberte” Hong Kong. Alguns manifestantes entoavam o hino americano.

"Mais de mil manifestantes foram detidos. Não temos outra forma de ação a não ser nos manifestar. Estou desesperado. Acho que, fora os países estrangeiros, ninguém pode realmente nos ajudar", afirmou Jenny Chan, de 30 anos.

A manifestação era realizada com tranquilidade durante o dia, mas à noite foram registrados confrontos no bairro de Mongkok entre a polícia e os manifestantes mais radicais, com bloqueios em ruas e avenidas, ataques a estações de metrô e barricadas incendiadas.

A raiva dos manifestantes parece estar longe de diminuir, mesmo quatro dias após a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciar a retirada definitiva do polêmico projeto de lei sobre as extradições à China, o que desencadeou os protestos em junho.

A retirada da proposta era uma das principais reivindicações do movimento, mas os militantes pró-democracia consideram que a decisão chegou tarde e é insuficiente em relação ao restante das demandas.

Agora, eles também pedem anistia para as centenas de pessoas detidas, além de uma investigação das ações da polícia e do sufrágio universal. Tanto Carrie como Pequim rejeitam todas essas demandas.

Militante detido novamente

Ao voltar de Taiwan neste domingo, 8, o militante de Hong Kong Joshua Wong foi detido novamente, agora por violar as condições de sua liberdade sob fiança.

"Fui detido nesta manhã pela polícia de fronteira por 'violação das condições de liberdade sob fiança’ e permaneço retido", disse ele em nota divulgada por seu partido político, o Demosisto. "Em princípio, devo ser solto após uma audiência na segunda de manhã.”

Wong foi detido no fim de agosto, junto a outra militante de seu partido, Agnes Chow. Ambos foram soltos depois de pagarem fiança. A polícia de Hong Kong não comentou o caso deste domingo.

A ex-colônia britânica atravessa sua pior crise desde sua devolução pelos britânicos à China, em 1997, com ações quase diárias para denunciar especialmente o recuo nas liberdades e a crescente ingerência de Pequim nos assuntos de sua região semiautônoma. / AFP

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